Carla Veríssimo cria site para se dar a conhecer e ao seu trabalho.

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06/05/14

A propósito, da última fornada de bananas racista, deixo um texto de minha autoria:

Branco no Preto

Eu sou racista.
Sou racista.               
Sou racista porque gosto da raça de gente que tem cor, que tem cheiro, que tem alma, vida e fogo. Da raça de gente em que o sorriso, mais do que dos lábios, sai dos olhos; sai do olhar.
De toda a raça de gente que tenha música no corpo. Que trabalhe, dê, receba, partilhe. Que possa circular onde quiser. Que respeite, que seja respeitada.
Raça de gente com carácter e características, com defeitos, arrelias, cultura, identidade, hábitos e tradições.
Valores.
Tudo se resume a valores.
A sermos bons, mais do que humanos.
Vivam as cores, os tamanhos e as formas. Viva o dia, em que vieram partes minúsculas dos seres, dizer-nos em letra grande, que afinal, pretos, brancos, amarelos, vermelhos, ou torrados do sol, somos todos feitos do mesmo material: água, muita água, alguns ossos, músculos e mais ou menos carisma.
Eu branquela, adoraria ter um filho cor de chocolate. Um doce! Só porque sim.
Eu branquela, sou racista.
Sou banto, banguela, congo e mina, negro da terra, índio, mulato, caboclo, cafuz e cabra.
Sou muito cabra.
Sou mestiço.
Um Bonifácio, Gilberto, Arthur, Nabuco, Sílvio, Aroldo, François, Georges, James ou Charles.
Um Aborígene na Tribo, um gato-pardo ou um burro da cor-quando-foge.
Eu, branquela, tenho cor de pele, uma cor que vai muito além da minha moral e inteligência.
Não sou superior a uma formiga ou inferior a um elefante. Sou do mesmo material das estrelas, grão de cereal armazenado no verão.
E no inverno; no inverno, solto a música do meu corpo e danço. Oh se danço.
Misturo-me.
Toco a tua cor, a tua pele, o teu nariz, o teu cabelo, em suma, a tua origem.
E de que vale poder tocar num corpo negro, índio, branco, mulato, caboclo, cafuz ou cabra, amarelo, vermelho  ou torrado do sol, se não tocar no mais profundo dessa raça de gente que és? Que sou?
Viva a diferença. Que nos une, nos enriquece e nos torna mais gente.
Sou racista porque gosto da raça de gente que pinta com lápis, de cor.

26/12/13

Aos que gostam...

Fui.
Havia uma estrada só para mim.
Na montanha Era Inverno.
                   Levo esse sorriso que tanto pediste.
                           Ignoro a casa da cidade.
                                         Há sempre um Zumbir na aldeia.

Neva... só para mim!
Agarro-me a essa paz.
Ouço Tilintar. És tu na bicicleta!
Já não me surpreendes; mas continuas A prender-me a este lugar...
                                                                a esta Lareira...

28/11/13

Poetry Slam PDL | 29 Nov | 22h | Ateneu Criativo | Ponta Delgada

 

O Poetry Slam PDL de Novembro é já amanhã.
Convidamos todos a estarem presentes, pelas 22h no Ateneu Criativo.
Haverá poesia, num ambiente informal e descontraído, música e surpresas!
Apareça e traga amigos.

Divulgue o evento nas redes sociais:
https://www.facebook.com/poetry.slam.50

A organização do Poetry Slam de Ponta Delgada:
Carla Veríssimo, Eleonora Duarte e Luís Andrade

Apoios deste evento:


25/11/13

Campanha “16 Dias de Activismo pela Eliminação da Violência Contra as Mulheres”

A poesia mutilou-me, violentou veloz as minhas veias.
Domesticou a minha liberdade, com correntes de inspiração.
A poesia activou o meu Activismo.
16 dias sem cessar.
Fez de mim uma mulher, a quem gostam de tocar.

Carla Veríssimo
Poema escrito para a Campanha “16 Dias de Activismo pela Eliminação da Violência Contra as Mulheres”
25 de Novembro a 10 de Dezembro

Poema performado no 9500 Cineclube, Cine Solmar, Ponta Delgada, antes do filme “Dou-te os Meus Olhos”, de Icíar Bollaín (2013), um filme sobre a violência doméstica, em parceria com a UMAR.




Restantes performances do poema durante a Campanha:

29 de Novembro: Ateneu Criativo, 22h, no evento Poetry Slam PDL.

1 de Dezembro: Festival "O Mundo Aqui", da AIPA, na sessão "Poesia Aqui", 16h, Academia das Artes de Ponta Delgada.

6 de Dezembro: KOtidiano - Performance de vários artistas, 20h30, Arco 8

08/11/13

Carta da minha bisavó à minha mãe

De: Luiza de Jesus Menina
Agodim
Leiria

Para: Maria do Rosário Rodrigues Lagoa Vitorino
Colégio da Imaculada Conceição
Cruz-da-Areia
Leiria

Agodim, 15.02.73

Rosairita e Helena
é por meio desta que eu venho saber como se encontram? eu não estou pior, ainda estou com o mesmo tratamento.
Rosairita, os teus primos disseram-me que ias escrever à tua mãe, manda-me dizer. Se lhe escreveste depois do dia 4 de Janeiro, nunca mais tive notícias do teu pai, nem de restante família já tenho saudades deles, teu pai usava cá vir bastas as vezes depois do dia 4 de Janeiro nunca mais o vi.
Mando-te esta carta para tu me escreveres, mas se vieres cá no Carnaval não vale a pena me escreveres.
Aumenta as notas para ganhares a grogeta. Rosairita já dei o recado à tua prima para ela te escrever.
Foste entregue daquilo que eu te mandei? pelo teu primo.
Assim que o teu pai venha eu mando ele ir vizitá-las e levar queijos secos.
Vou terminar muitos beijos para ti e para a Lena.
A caixa serve-te?
Ó Rosairita olha estou doente tenho gripe e anginas recebe recebe um beijo meu envio-o também para a Lena já estou doente desde domingo.
tua avó Luiza.
Adeus Felicidades.

quem está doente é a Deonilde Não a tua avó.
Se vocês não vierem cá passar o Carnaval eu no sábado  seguir vou aí vizitá-las.
Rosairita a tua prima Fernanda está empregada na loja do Costa.
Olha Rosairita vai aqui um selo de $50 e depois já compras só outro de $ 50 tostões