Carla Veríssimo cria site para se dar a conhecer e ao seu trabalho.

Carla Veríssimo cria site para se dar a conhecer e ao seu trabalho| http://cavverissimo.wix.com/carlaverissimo

16/04/12

A vida, contada assim à minha sobrinha

Ainda não ouvi o teu primeiro choro e já te quero falar do espernear que terás pela frente.
Ainda nem sei se serás princesa, fada, cinderela, soldadinho, pinóquio ou anão.
Ainda não te conheço e já tenho para ti todos os nomes bonitos do meu mundo: Alice, Olivia, Maria Clara, Amélia, Benedita, Eduarda, Maria Flora, Amália,...
Gil, Francisco, Gustavo, Joaquim, Francisco Gil, Pedro Gil,...

Só daqui a alguns anos poderás entender esta história, ou pelo menos lê-la... já que isto da vida são apenas 3 parágrafos: nascer, crescer e morrer.
Ponto final parágrafo. É mesmo assim. Frio. Curto. arrebatador.

Já as linhas de cada um deles, desses parágrafos, podem ter tantas palavras como as estrelas que há no céu.
E se fizermos brilhar forte cada uma delas, deixaremos certamente o nosso pó no universo.
A tua pele, o teu olhar, a expressão de todos nós, teus antepassados, em ti...
Os risos, os gritos, as birras, os saltos, as fomes, as noites, as falas,... Serão essas as tuas marcas. As páginas do livro que hás-de escrever... das histórias, afinal tão tuas, que afinal nós, poderemos ler.
Fim!... Do 1º capítulo!

Texto escrito a 31.01.2012 e publicado a 16.04.2012, quando soube que afinal serás fada, cinderela e princesa! ;)

23/03/12

Descalças fazem performance do texto: Muda de sexo!

Perdi o meu Bilhete de Identidade há uns tempos.
Castro Verde é dos sítios do País onde já se faz o Cartão do Cidadão (antigo CU).
A senhora introduziu todos os dados da minha identidade no computador. No fim, imprimiu uma folha e pediu-me para conferir se estava tudo bem.
Eis senão quando, leio: Carla Alexandra Vitorino Veríssimo, nascida a 11/08/79, sexo MASCULINO!!!!!
Disse-lhe que aquela "parte" estava mal.... Eu não tinha, nem tenho dessas "partes".
Ela, muito pasmada , disse-me: Ó menina, mas eu não lhe mexi no sexo!
E eu pensei: Ainda bem....
Ainda assim, intrigada, voltou a verificar os dados no computador. Refez tudo novamente, mas o sistema insistia que eu - Carla Alexandra Vitorino Veríssimo, natural de Leiria, blábláblá -, sou do sexo MASCULINO!!!
Ligou para o Apoio, que lhe disse que eu estou registada na Justiça Portuguesa como sendo do sexo MASCULINO!!!!!!!!
Aí é que fiquei com cara de CU!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Sexo: Masculino!!!!!!!!
Onde??
Que não sinto nada....
Nem uma comichãozita nos tomates....
NADA!!!
Já todas as comadres e compadres lá presentes se riam. A senhora ainda me perguntava Não mudou de sexo pois não?
- Não! Não quer que me dispa aqui agora, à frente de toda a gente, pois não? Eu saio ao pai, mas nem tanto!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
- Oh, menina, é que agora vou ter de lhe mudar o sexo. Não se importa, pois não? Peço imensa desculpa.
- Oh, minha senhora, insira aí o meu sexo FEMININO no computador!!!
Antes que eu exiga ser do sexo FEMININA!!!, já agora!!!

E lá paguei 12 euros, não pela Alteração de Sexo, mas pelo CU, que agora é CC!!
De CU para CC, é mais ou menos como Carla Alexandra Vitorino Veríssimo, que era Macho e agora é Fêmea!!!
Bela Justiça a que temos!!!
A sorte é que foi rápido e não doeu nada, esta Operação!!!

21/03/12

Dia Mundial da Poesia

Entrei. Como quem vai comprar sardinhas, sei lá.
Entrei e dei de caras com uma mini-feira do livro. Quer dizer, um quadrado de estantes com livros voltados para todos os pontos cardeais.
Dei uma volta à bússola, apenas para manter o vício de ver livros e na esperança que algum tivesse um íman para os meus olhos, para as minhas mãos.
Entrei, mas o que não esperava era reencontrar o teu sorriso, e com ele ver a minha agulha desmagnetizar. E com ele, a minha barriga nas costas. Bem lá atrás.
Peguei-te novamente. Desfolhei fotos antigas, bem antigas. Fiquei folha atrás, página à frente, naquelas recordações, e é então que estabilizo o meu compasso, no teu olhar. E é então que junto o meu sorriso ao teu, e com esse "Aproveitem a vida" na mão e o meu cachecol Feio ao pescoço, sorrio para a máquina ;)

08/03/12

AL-Gures em 2008

Desacordo ortográfico

Deixei a discussão da Mariana e do Salvador, na Casa Quieta; deixei a Teresa e o Tomás, na Insustentável Leveza do Ser; deixei a burra, a Ana, e o velho Durico, na Cal; deixei o Eric Clapton, na História do Mundo em Nove Guitarras; e deixei ainda a dona maria e o seu marido, num orgasmo sonoro a duas vozes, em Variações Tangenciais.
Deixei-os a todos e pus-me a escrever o que gostaria que alguém deixasse dentro de uma obra ((de)terminada) (prima), desses jovens criadores.
Escritores
Escriadores
Escridores
Escriatores

E foi assim que deixei também de brincar com as palavras. Que as palavras são coisa séria. Pronto final.
Para agrafo.
Trave São.

A escrita não é senão uma obra de arte. E tomo a liberdade de fazer desta arte a minha obra.
Sem acordos ortográficos.
sem as regras que outros querem impor.
A regra impõe-na o texto, fá-la o bico do lápis, a minha mão toda. Nem sequer o meu cérebro, a minha razão.
Farei da liberdade – a minha: arte de expressão.
Com sentimento
Consentimento
Comsentimento

Arte livre.
Em que só há um acordo.
Um acordo com a minha ortografia, que se quer fazer a ela própria em desacordo.
Des(acordo)
Acórdo
Acôrdo

Sem querer saber das metáforas, dos pleonasmos, das redundâncias, dos acentos, da entoação, do contexto.
Não sei pintar senão letras. Esboços a lápis de carvão, depois impregnados por uma tinta electrónica de máquinas que substituem dedos, e mãos inteiras de palavras.
Pala
A lavra
(P)a(lavra)

Sinto a escrita portuguesa, ou pelo menos, os jovens escritores, a enveredar por caminhos paralelos. E como paralelos: cruzam-se no infinito. No infinito de símbolos, negritos, itálicos, tamanhos 8, 14, triângulos, quadrados, asteriscos, cardinais, reticências
Infinitos de fazer das palavras mais do que meros aglomerados de letras, que aborrecem as mais fúteis e preguiçosas das gentes.
Formas mil de ser 1000 original, de inventar mais, de fazer mais um trocadilho, criar mais uma expressão, ser o primeiro espermatozóide a fecundar o óvulo, e que ri com ar de gozo, a saber que os seus companheiros, por mais que esperneiem não chegam lá. Por mais que se flagelem não furam. Por mais que percam a cabeça, não entram!
Infinitos de estórias entrelaçadas e frases de fazer pensar. De fazer pensar lê-las em voz alta. E repeti-las. Repeti-las. Repeti-las. Vezes e vezes sem conta, sem contar as vezes sem conta.
Formas 1000 de(s)fazer das palavras esta arte e dar-lhes vida.
movida
vida movida
(mo)vida
 
gosto de comboios que não tem raça de homens… descarrilados.
Apetece-me estoricar. Cheira a gente. Sabe a sexo.

Pronto final. Para agrafo. Trave São.

07/03/12

Desde Janeiro de 2012 que tenho uma vida dupla.
A entidade para a qual trabalho decidiu aderir ao Novo Acordo Ortográfico, mas eu não.
Eu, enquanto pessoa, pessoal e singular.
Portanto, de segunda a sexta, das 9 às 19 terei de ceifar consoantes, acentos, traços e tracinhos, e quando chegar a casa, janto a minha sopa de letras e volto a colocar cada uma na sua palavra.
Palavra de honra! com h!

04/03/12

Arco-Íris | Disco Voador | Clã

há meninas em rebanho
e há bandos de rapazes
elas são sossegadinhas
eles devem ser audazes

dizes tu que não condizem
cor de rosa e azul celeste
cada sexo em seu lugar
foi assim que me fizeste

mas então por que razão
ainda vês com maus olhos
o homem que ama outro homem
a mulher que ama a mulher

se os separas à nascença
e fazes tanta questão
de manter a diferença
entre a irmã e o irmão

viva a maria rapaz
e o rapaz que não é peste
viva a roupa que baralha
o sexo de quem a veste

viva todo o arco-íris
e a cor que se mistura
sete quintas, meias tintas,
viva a fúria e a doçura

não me voltes a dizer
que as crianças a crescer
precisam de copiar
o papá e a mamã

deixa ser eu a escolher
por quem me perco e me dano
porque eu amo a minha irmã
e amo também o meu mano...

será que nunca sentiste
que somos pó de universo
sujeitos à atracção
do que é igual e diverso
e será que não gravitas
à volta de quem te ama?
use vestido ou gravata
borboleta busca chama...

amar sem olhar a quem
nem ao sexo nem à cor
não é vício nem pecado
não é mal nem mau olhado

amar sem medo ou vergonha
amar a torto e a direito
amar sem manha nem ronha
não é tara nem defeito

amar sem olhar a quem
não é tara nem defeito
amar sem olhar a quem
amar a torto e a direito

23/02/12

Ele morreu com ELA. Foi e será Zeca Sempre

Zeca Sempre é um projecto de homenagem a José Afonso, nas vozes magníficas de Olavo Bilac, Nuno Guerreiro, Tozé Santos e Vitor Silva.

Venham mais cinco, índios da meia praia, que o amor não me engana, e num redondo vocábulo, o que faz falta, são vampiros de Coimbra, no lago do breu!


http://www.zecasempre.com

Styling do projecto musical Zeca Sempre: Bárbara González Feio

22/02/12

Para as Descalças

Foram precisos 2 anos para chegar aqui.
A um lugar cheio de lugares, onde, tal como as crianças, sou impelida a mexer em tudo; onde tenho medo que cheguem os grandes, a ralhar-me com um "isso não se faz!"; onde de imediato, mas só no fim de mexer em tudo e olhar atentamente os pormenores, agarro uma folha de uma mesa, um lápis de uma caixa (como se estivessem ali este tempo todo, à espera que eu chegasse) e começo a escrever, a descalçar este lugar cheio de gentes deambulantes, que sem jamais me terem visto, me oferecem sorrisos sinceros. Tão sinceros, tão meigos, tão bonitos.
Quero tirar os sapatos. Aliás, mesmo antes de entrar aqui, já os queria tirar, ora porque os meus pés estão neles frios o dia inteiro, ora porque sinto que me pedem liberdade.
Devolvo-lhes esse bem estar.
Ainda não parti e já me apetece voltar.
Como pude viver 2 anos sem conhecer este lugar?
Paro de escrever e ponho-me a abrir mesas e gavetas; tiro postais e cartões, guardo-os na mão, para que os grandes, se vierem, não pensem que estou a roubar.
Vou arrancando um pedaço de cera que há na madeira em que escrevo; esta cadeira pequenina atrás de mim, pendurada na parede, esta bicicleta com um tampo de vidro, este quadro de ardósia preta, cheio de palavras brancas de giz.
Estou descalça, e penduro-te nesta mola amarela em forma de pé...
                                                                         descalço.

 
(Descalças é uma Cooperativa Cultural que actua no âmbito da criação artística, da produção, divulgação e formação culturais, principalmente nas áreas musical e teatral, tendo como principal missão cooperar para o desenvolvimento e intervir social e solidariamente. Saiba mais em: http://www.descalcas.blogspot.com).

23/01/12

Em dois tempos

Ter poucos amigos pode significar que se tem a maturidade necessária de uma pessoa de 30 e tal anos.
Não sei quem é que inventou esse conceito de que temos de andar a prostituir um sorriso, que, sendo uma tão importante parte de nós, deveria apenas ser utilizado para um número muito reduzido de pessoas.
Aos 20 fazíamos jantares com 20 pessoas. Aos 25 com 10 e aos 30 com 5.
Crescer passa também, por elevarmos a fasquia e por isso mesmo passamos a ser mais criteriosos. Passamos a deixar de ter paciência para aturar pessoas com 30 e tal que têm atitudes de adolescentes de 15.
Não é fácil gerir um jardim de infância, quando o que vemos são... adultos... ou pessoas crescidas, dizem-se elas!
Ter poucos amigos é passar a sorrir com outro olhar...
Ricardo Machado e Carla Veríssimo

05/09/11

Projecto Pedaços

Saia em busca do que os outros perderam, ora propositadamente, ora sem querer.
Recolha o mais que puder.
Entre talheres, pratos de loiça antiga, ossos, madeiras, telhas, pedras, paus, quadros, lápis e outras tantas infinidades de apetrechos, coloque-os em sua casa e pense quantas bocas se abriram àquele garfo, quantas mãos de vizavós lavaram aqueles pratos, quantos animais morreram, quantas árvores caíram, quantas casas foram construídas, quantos vulcões entraram em erupção, quantos galhos foram quebrados, quantas telas foram pintadas, quantos textos foram escritos e quantos outros tantos infinitos universos... feitos de pedaços... feitos de todos nós, ... neste Projecto sem fim

(Para El Caçador)

18/08/11

António Feio. Um ano depois.

Era Outubro e havia relógios.
Era o frio e havia aquele Vendedor.
Havias tu e o teu sorriso.
Havia o teu chapéu.
O teu olhar profundo.
Havias tu: Lindo. António, Lindo!
O Vendedor ficou e eu parti.
E veio Dezembro e as ilhas.
Na viagem aterrou uma paixão antiga. As portas de "engate" já estavam abertas e foi só levantar voo.
Tu sempre de um lado para o outro, comigo...
Eu com palavras públicas para ti.
Tu um nome de rua.
Tu livros e revistas e filhos e amores e histórias e tretas.
Era Janeiro e Fevereiro e depois Maio e eu hospitais e doenças e doentes.
A paixão antiga a falhar. A média da Colecção a subir.
Tu bem guardado numa estante. Sossegado de mais há muito tempo.
Sem o meu olhar no teu. Sem o teu sorriso para o meu.
É Agosto e já vou tarde para um Parabéns a 29 de Julho.
Tu partiste e eu fiquei.
Há saudade e eu tenho uma vontade imensa de comprar um chapéu!
Vêm as ilhas de novo. E desta vez não te trouxe comigo...Mas hei-de voltar só para te ler outra vez. E nessa altura, hei-de saber o que fazer a seguir.

03/12/10

Conselhos para quem procura emprego, trabalho, um tacho ou etc!!

Quem é que mete “etc” num currículo?
Só se for gente que não gosta de trabalhar!!!, e está mesmo é à procura de tachos!!! Pois meus amigos, tachos é coisa que não falta nessas cozinhas restaurantes a-fora!!!!!!
Lavem-nos bem, e depois PENSEM se estão SEQUER em condições de se candidatarem a um trabalho!!!, sim que nos dias de hoje, não há empregos!! Lamento!!!
Pode é haver trabalho naquilo que mais gostamos! E pois bem, se vocês gostam de tachos, o meu anúncio não era o indicado para vós!
Boa sorte e voltem sempre!, de preferência quando souberem fazer um curriculum vitae no formato Europass, bem explicito, organizado, motivante, concreto, E ETECETERA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
O que é isso do: “Experiência no XPTO Instituto”, onde desempenhei funções de “1. Videovigilância; 2. Actividade de Educação Ambiental, e 3. Etc”????????
Ponto 3. Etc????????? Mas Etc o quê?!?!?
Se não especifica até pode ter desempenhado funções muito importantes, interessantes, mas eu cá, não adivinho!!!!!!!!!!! Convenhamos!!! Sou Licenciada em Biologia, não em Astrologia!!
AH, e já agora, nas Cartas de Motivação, não esqueçam de escrever português correcto, sem erros ortográficos, gramaticais e ETC!!!, ainda que queiram seguir o novo acordo ortográfico, não sei onde vão inventar “às” sozinhos com acento para frente: “á”...
“Á”.. NÃO EXISTE... LAMENTO..... NÃO ESTÁ NO DICIONÁRIO...
E deixo ainda uma citação, em jeito de intelectual, retirada do livro A sombra do que fomos, de Luís Sepúlveda, que diz: “por favor, não me escrevas com gramática de jovenzinho analfabesta. Quero é com q e não com k, e também escreve-se com todas as letras”.
Quanto ao corpo dos mails, ao passo que uns nem se dão ao trabalho de escrever uma palavra que seja, outros insultam-nos com funções que não são as nossas (como directora dos Recursos humanos! Essa foi a melhor! Euzinha... Directora dos Recursos Humanos! LOL) e depois ainda vêm pedir desculpa a dizer que foi um “inquivoco”!! (UM QUÊ????), e outros começam com um “Boas tardes”! OPÁ, não me venham com “Boas tardes” no plural, porque que eu saiba a tarde é só uma a cada dia, e é bem SINGULAR!!!!
Para finalizar, se querem mesmo ser sucedidos profissionalmente (chamem-lhe emprego, trabalho, tacho, o que quiserem), aconselho, com “c” de cão no início e “s” de sapato no fim, a LEREM os requisitos dos anúncios, os regulamentos dos concursos, a pesquisarem o que faz a entidade para a qual se estão a candidatar, a porem uma foto no CV, a não ser que estejam a fugir À polícia, ao fisco, ÀS (“Às também é com acento para trás!!!, lembrem-se!) finanças, À segurança social, e ao raio que vos parta!
E se DEPOIS DE LEREM o anúncio, diz lá para remeterem a documentação para Carla Veríssimo, essa pessoa não é Exmo (a) Senhor (a)!!! Só tem um Género: O Feminino! E um Nome: Carla Veríssimo!
É triste como numa semana descubro que muitos iletrados neste país... mas aos senhores políticos só tem interessado fazer número, dar equipamentos, tecnologias, e depois espreme-se o povinho e nem uma gota de sumo.... é triste... Mas viva o Plano Nacional de Leitura, viva o Magalhães, viva o Novo Acordo Ortográfico, e ETC!!!!!

17/10/10

- Onde mora?
- Ali, atrás dos livros.
Atrás dos livros... para lá das palavras, das letras, da passagem, dessa porta fechada, de páginas e páginas de estuque e argamassa. Da madeira das janelas.
Moro ali, onde os verbos tracejados se desprendem no jardim.

(Para António Feio)

Bem António, saíste de São Miguel (estiveste em Ponta Delgada – “porque tão depressa nos parece que estamos na Suíça, como na América Latina, como numa cidade colonial africana” ;) já te levei para a Graciosa, para a Terceira, mais depressa ainda voámos para o Faial, de barco atravessámos para o Pico (a maré não tava baixa o suficiente para fazer escala nos ilhéus!), novamente de barco para São Jorge, voltámos tudo pra trás, às mijinhas, ora pára no Pico, ora dorme, ora levanta, ora apanha outra vez o barco, e Faial novamente.
Ainda há pouco, fomos contar estorninhos por essa ilha fora. Claro que dessa bicheza, nem vê-la!! Mas o almoço até foi bom, em Pedro Miguel (ainda tou pra descobrir se o homem foi alguém importante nesta rotunda gigante, com mar à volta, para terem dado esse nome aqui ao sítio!! Já imaginaste uma Freguesia aí numa ilha paradisíaca, com o teu nome?! António Feio! Isso é que era! Um homem importante! E já estou mesmo a ver, o pessoal agarrado à placa, dentes arreganhados, tanto um, como o outro! ;), e a máquina a disparar fotos!), Bem, mas ia eu a dizer, o almoço até foi bom, quase uma lágrima a escapar-me com a tua Carta de Despedida, mas lá me aguentei antes que o senhor do café notasse! Claro que com os textos do Mini-Mini Diário, quis lá saber, e foi só rir!!!
Já te levei pra casa-de-banho, já respingou água pra cima de ti, enquanto penteava o cabelo, já te achei parecido com o rapaz da loja do aeroporto da Terceira, onde fui comprar o meu primeiro relógio da Fossil!, Agora é só esperar que o rapaz acerte o compasso e veja bem os meus ponteiros!!
Já escrevi tantos textos, muitos dos quais enveianenada pelo meu querido Lobo Antunes, e agora dou por mim, a escrever à Moda do Feio!, só porque com 31 anos, estou a conhecer um homem de 55, com quem me cruzei uma noite no Porto, e me lembro de pensar: Olha o António Feio. Epá, é mesmo alto! (pudera!, eu no meu metro e meio, toda a gente é alta!) E segui, e tu seguiste, e nada. Ai, se fosse hoje! Eu lá deixava escapar um homem interessante, inteligente, maduro, com um sentido de humor espectacular, e único, como tu?! Pedia-te logo que me fizesses um filho!! (Bem, teria era de conseguir “levar-te” na conversa, durante, pelo menos, um ano.... e nisto de paixões, também ando cá com uma colecção, que vai lá vai... e não tem ido a lado algum! Acho que a minha média vai pra i em 1,4... !).
E agora que te acabei de ler, parece que não sei bem o que fazer a seguir... ou não sabia até vir sentar-me nesta cama, contigo ao lado, a sorrir pra mim, claro, com esse olhar profundo, cristalino (De Pura Lino ;) (e agora a senhora do hotel bateu-me à porta, e tu caíste-me (e não caisteme!!) ao chão! Ó homem, tu anda cá, que na caminha é que estamos bem! ;)
Vá, agora deixem ouvir A Banda!
E até vou parar de escrever porque a Conversa sem ti, está a ficar uma Verdadeira Treta.
Um bom resto de continuação ;)

20/08/10

I

Um romance tem de se refogar. Picar a cebola, pôr azeite no tacho, acender o lume, ir mexendo, esperar que a cebola fique loirinha, depois juntar o resto dos ingredientes.
Pôr água. Tapar e deixar cozinhar em lume brando.
Servir quente.
Desfrutar...

29/05/10


Não serão precisos muitos fios,
não
        será
                   precisa
                                       a
                                               linha.
Serão poucos os pequenos transparentes, conjugados e ligados, os pedaços de madeira tão tintados, simplificados.
Seremos nós bonecos marionetados nos seus fios afinal nunca acabados.
Seremos grão de areia fina, a levitar pequena bailarina.
Seremos vento que empurra o pensamento.
Não serão precisas muitas linhas,

não
        será
                   preciso
                                       o
                                               fio.
Mas fiando noz em voz, baramlham-nos confusa
mente
que no pequeno transparente nus estão a co-mão-dar.

Escrito para a MIMA: http://www.samarionetas.com/ e http://marionetasportugal.blogspot.com/

Para JP Simões



 
                              Fotos in: http://www.myspace.com/jpsimoes

A minha canção contigo começou em Castro Verde, com um amigo sentado à mesa a ouvir JP Simões.
E esse JP Simões viajou comigo desde essa mesa, em 2008.
E tentei letras e cordas para ouvir uma só nota tua, nesses acordes sentidos.
E só agora nestas ilhas, tão no meio do tudo e do nada, isoladas, longe, tão perto, consigo finalmente...
A minha canção contigo.

Autógrafo para JP Simões, após concerto no Arco 8, 29 Maio, São Miguel, Açores

26/05/10

Disseram-me um dia deveríamos estar apaixonados pela leitura. Acredito na condução do homem através da leitura, é o momento egoísta positivo do homem. Creio que a alma projecta-se para a vida e para as relações através da leitura!
E eu disse
nunca tinha pensado nisso.... nesse egoísmo por uma vez positivo neste homem com um h muito pequeno que somos...
Cremos-nos h grande, mas para isso, de facto, seria preciso tanto mais.... tinta....
tantos mais livros...
tanta mais paixão, alma,...

tanto mais HOMEM.

20/05/10

Levas e trazes. Deixas e Dás. Tiras e feres, mas ondulas sempre.
És muito mais do que água e marés, ventos e Luas.
És espuma branca em areia negra.
És chão sob os meus pés nestas viagens de ilha em ilha.
Tens em ti uma força. Muitas forças.
És bem mais do que peixes, golfinhos, rochas e algas.
És uma estrela-do-mar a navegar em todas as direcções.
És essa caravela tão portuguesa.
Nesse rebentar ruidoso, o meu mergulho em ti.
Uma incógnita, um desafio.
Como grão-filho-único de uma mãe-resia cheia de areia.
Como uma fugitiva que se esconde, no mais profundo do teu barulhar...
gaivota voando ligeira;
rola-do-mar de perna vermelha, sabes ser essa onda de sal e sentido.
E eu sou um poema gota-de-água-pequena nesse azul imenso mar...

Poema escrito para uma Tertúlia de Poesia, no Centro de Interpretação Ambiental Dalberto Pombo, na ilha de Santa Maria, para Comemoração do Dia Europeu do Mar
Notícia em... O Baluarte 

09/05/10

Ultimamente tenho passado grande parte dos dias, em redor dos postes eléctricos, curvada e de olhos atentos ao chão. Tanto o faço que começo a achar que algum dia, um agricultor me há-de perguntar: “A menina perdeu alguma coisa?” E sinceramente não sei que dizer... Sim perdi um milhafre! Perdemos! Perdeu a natureza!... Acho que digo isto!
Nem sempre passo perto dos agricultores... eles vão por umas canadas, e eu por outras, ou às vezes nem isso... mas das vezes em que peço indicações para chegar aos locais, aproveito para explicar o projecto em que trabalho e reconforta-me saber que este projecto, os milhafres e os postes da EDA serão assunto de conversa à mesa de algumas famílias!
Talvez haja nalgumas mesas comentários de quem me viu no meio dos pastos ao longe, a trepar muros, pontapear silvas, furar entre árvores e plantas da floresta, andar no meio das vacas, subir encostas, gentes com quem não falei, e que me terão visto e talvez julgado de uma forma ou outra, OU não! Ou simplesmente não perceberam, e ficaram curiosos, e terão levado essa história para casa.
E que seja este o meu legado. Deixar histórias, ao jantar de muitas famílias.