Carla Veríssimo cria site para se dar a conhecer e ao seu trabalho.
02/10/08
SOMENTE PURA.
Tenho saudades tuas.
Confesso-me.
Fazes-me falta.
Hoje não controlei o sorriso quando me apareceu pela frente a tua imagem.
Estava aquilo a que se chama babada!
Com o teu sorriso, a tua boa disposição.
A tua cara, o teu corpo. A tua mente. A tua história. A tua figura. A tua fotografia.
O teu trabalho. As histórias na tua vida.
Passava um dia inteiro contigo.
Não me cansas.
Não era suposto dizer-te isto. Fecha os olhos. Não leias.
Não podes saber disto.
Fecha os olhos.
Já disse!
Fecha a página!
Desliga-me!
Não podes ler!
É segredo.
Não era suposto dizer-te isto, mas ISTO é o que sinto.
i.e., uma amizade, uma harmonia, um bem-estar.
Uma amizade que está a nascer. E por ISTO, estamos sempre a olhar por ela. Para ela. Sempre a ver se está bem, se precisa de alguma coisa. Se chora, se tem frio, se quer mamar, se tem a fralda suja.
i.e., estamos sempre lá.
e.i., e isto:
agora que não estás daí, FAZES-ME FALTA.
29/09/08
CS
Como, a ponto de sentir a necessidade de comunicação? A necessidade de agarrar num lápis, num papel e vir aqui escrever estas coisas difíceis?
Estas coisas complicadas de explicar quando se escreve…? Porque de facto não se escreve. Vive-se.
Como se escreve uma forma peculiar de falar, uma expressão, Pensa, Pensa!, um sorriso, um olhar?
Como se explica a simpatia, a amizade, o esforço, a humildade, o carinho, a garra, a simplicidade, a dedicação?
Como é que se escreves TU?
25/09/08
Uma vida inteira à esperma
Aquele pénis quente, com quem ia ao cinema de vez em quando, penetrou-a.
Cheira a gente.
Sabe a sexo.
Um espermatozóide ao lado e eu podia ser um Carlos Veríssimo. Uma cantora. Um astronauta. Uma arqueóloga. Um advogado. Ter 1.70 m de altura, ser moreno, de cabelos compridos. Ser um pedófilo. Uma actriz. Um anão. Um preto. Um tibetano. O presidente dos EUA. Um cigano. Uma Ucraniana. Um mercador nos Emirados Árabes Unidos. Ser de esquerda. Ter pais pobres. Estar num Colégio de Freiras.
Ser surda.
Ou não ser.
Um espermatozóide ao lado e eu podia: Não ser.
Mas depois há dias em que acordo com uma lucidez extrema, assoberbada, arrogante.
Uma lucidez acerca do que sou, do que quero. Acerca das minhas tarefas profissionais e das minhas relações pessoais.
Quero uma relação pessoal. Mas evito-a com medo de realizar todas as tarefas que me foram penetradas à nascença, e assim, a minha vida já foi. Já está vivida, e depois não tenho tomates para mais.
E depois, mesmo com clítoris a palpitar, não quero pénis no cinema.
Não cheira a gente, nem sabe a sexo.
Não sei se estou a ser clara.
E vivo esta angústia muitos dias, e muitas noites: o querer já realizar mil sonhos e desejos que tenho e sinto, mas saber que ao fazê-lo: JÁ FOI. JÁ ESTÁ. JÁ PASSOU. JÁ ACABOU.
JÁ ESTOU MAIS PERTO DO FIM.
E FOI ISTO: A MINHA VIDA.
Não sei se fui Carla.
23/09/08
Viagens na minha terra dos outros
Mas foram restaurantes cheios de malas, cobertores, aparelhagens, tapetes farfalhudos, guitarras partidas, candeeiros, telefonias, bonecos de peluche, bonecos de plástico, bancos, gaiolas, panos, raquetes, espanta-espíritos, detergentes, camelos de plástico, k7s, almofadas, naperons e tralhas várias.
As nossas fotos de viagem podiam ter sido tu no barco, tu no avião, tu nos jardins, tu nas bicicletas.
Mas foram homens de mãos sujas, negras, IMUNDAS, encardidas pelo tempo. Foram gatos em cima das mesas, enquanto pessoas a jantar. Foram teias de aranha, ratazanas de estimação, baratas, pulgas, caraças e daí pra baixo! Foram iraquianos escada acima escada abaixo à procura de lugar para nós.
Foram canelonni com sabor a canela. Foram dentes de crianças a puxar bifes de vacas. Foi um desconhecido de 40 anos e 2 metros a levar-me para casa. Fui eu a apalpar as mamas de uma gaja, que pensei ser um gajo mascarado de gaja. Foram os nossos vizinhos na casa sem paredes, acasalados um no outro. Foram velhas de ossos desconjuntados. E fui eu a escrever isto às 3 da manhã. A escrever e a flatular-me toda como se não houvesse amanhã.
As nossas fotos de viagem sou eu a inventar um novo emprego: andar pelo mundo de caderninho na mão, a escrever sobre terras assim.
Exmos. Senhores,
Na sequência do vosso anúncio, venho por este meio enviar a minha candidatura a funções de Escritora. Escritora dos Povos. Do mundo. Dos lugares. Dos cheiros. Das músicas. Dos espaços. Das comidas. Das línguas. Possuo como experiencia profissional 6 meses na Grécia, 3 semanas na Polónia, 5 dias na Holanda, e aterragens em Londres, Bruxelas e Madrid.
Mais do que motivada, sinto-me inteiramente apta a desempenhar as tarefas que a função exige, de um modo atento e imparcial.
Sem mais, agradeço a atenção e aguardo uma resposta da vossa parte.
Com os melhores cumprimentos,
Carla Veríssimo
16/09/08
Escrever de ti. De mim. De ti em mim. Do nós que fomos. Do porquê. Do como. Do onde.
Preciso do quando.
Do quê.
Do para.
Do por.
Escrever-te as linhas do teu corpo no meu.
Escrever os teus beijos. O teu carinho. As tuas carícias.
Faz uns dias que tu em mim. Não sei precisar a hora. Nem da conversa, nem de nós de pé.
Não sei precisar o segundo em que te disse Senta-te aqui. Não sei precisar o instante em que te deitaste para trás e entraste assim na minha casa. Não sei do tic-tac do relógio, quando o tic-tac do músculo do teu braço direito, debaixo da minha cabeça.
Não sei de quando as tuas massagens nas minhas costas, e as tuas mãos atrevidas nas laterais dos meus seios; não sei quando terminaste, nem te baixaste e nos beijámos, de lado, eu de barriga para baixo, tu de barriga para baixo. Tu, em cima de mim.
Não sei precisar a hora disto tudo, mas sei precisar de ti.
Precisar que entres assim na minha vida, como entraste assim na minha casa, e como entraste, assim, em mim……….
Sei precisar de te escrever.
Não páro de pensar em ti, de escrever em ti.
Retenho aquele beijo de despedida, no canto da boca, em que os teus lábios procuraram os meus, num prazer fugidio; retenho os teus sorrisos, os gestos, as expressões faciais, o piscar de olhos, os beijos que me davas, e os que não davas, mas simulavas, naquele gesto sem ninguém mais ver.
Custaram-me a existência dela, a fotografia dela. Custou-me o som de ave nocturna, a cada mensagem; custou-me o porta-chaves do carro com o nome dela; custou-me o anel no teu dedo; custou-me tu e ela, os projectos, as perspectivas, a casa, as férias, …
Retenho as tuas mãos nas minhas coxas, nas minhas costas, os teus lábios e a tua língua no mais íntimo de mim… Esse beijo muito leve, quase só um sopro, na minha virilha...
Retenho os teus cabelos, o teu corpo. Tu nú, embrulhado na toalha, depois do banho. Os teus lábios desenhados, o teu rabo,…
Se pudesse largar tudo. Se pudesses largar tudo.
Sem medos, sem hesitares.
Sem dúvidas.
Retenho o nosso baloiçar na rede.
Reaprendi que a vida são passos dados num caminho de pó, e um dia há pegadas que se cruzam.
Foste um sorriso na minha cara, como não me desenhavam há muito, muito tempo.
Retenho a tua voz. O teu sotaque.
O teu olhar doce, meu doce.
Retenho a loucura das noites, dos impulsos, das cumplicidades, da intimidade.
Pergunto-me Porquê?
Como? Onde? Quando? Quê? Para? Por?
Vou fechar-te um pouco.
Preciso de escrever as linhas do teu corpo no meu.
02/08/08
Discos Pedidos
Meias;
Verniz;
Dicionário de Português;
Album de Fotos;
Pinturas;
Calções;
e Amigos!!!
muitos Amigos!!!!
27/07/08
Os Cinco Lados de uma Estrela
Tento organizá-los em constelações, galáxias, asterismos,...
Uns textos formam nebulosas, outros enxames abertos. Há escritos como estrelas cadentes, vêm e vão muito rápido.
Há palavras que se desintegram na atmosfera terrestre.
Há prosas que estão prestes a colidir umas com as outras.
Há textos duplos.
Há os que miram ora um lado do Universo, ora o outro.
Estão sempre a girar. A girar.
Como nós. Que nunca caímos, nunca caímos.
Em 24 horas o sol nasce, cresce, envelhece e morre.
E nós sempre lá.
E há uma nova vida amanhã. E amanhã. E depois. E amanhã. E sempre. E sempre. E infinito. E
Universo.
E
no fim?
No fim Somos ESCRITOS.
Matéria.
Gases iluminados, pela estrela que nos gerou.
poeira de uma estrela. Com Cinco Lados.
24/05/08
História (de)vida
E eu só lhe disse: IMPOSSÍVEL!
eu? aos beijos com alguém?
Já não sei o que é isso há muito tempo.
(ao que parece deve haver aí alguém com uns cabelos parecidos com os meus, pra ele se ter confundido. e eu nem sequer tinha ido ao intermarché!!!)
Assim, que a minha vida, não tem muito pra contar a não ser trabalho..........
A juntar a esta história, no fim-de-semana passado fui com a minha mãe a uma loja de loiças sanitárias, e era só casais a escolher coisas para a casa.
À saída uma miúda de 3 anos, sem me conhecer de lado algum, e SEM QUE FOSSE EU A METER-ME COM ELA (eu que me meto sempre com todas as crianças), vira-se pra mim do nada e pergunta-me: ''Onde está o teu marido?''
Engoli em seco.
e respondi:
Nao tenho marido.
É claro que ela não acreditou.
As crianças vivem na inocência de achar que os adultos têm todos maridos e mulheres....................
No fim, comprei o gajo a preço de ouro!!!
E agora se o meu marido sabe……….. tou feita!!
Estrias de vida
ou
Histerias de vida!!!
23/02/08
1H07 A.M. (not from Ante Meridium)
gosto do teu nome.
já te tinha dito, não?
gosto de o escrever. como se fosse meu.
assinar. em vez de Carla Veríssimo. assinar A. M. e explicar depois de um ''A Sra tem de assinar conforme o Bilhete de Identidade'', - Ah, sabe, é que gosto de assinar antes assim.
dá-me gozo. Mas desculpe, sim. Pra próxima eu assino A. M. no BI.
eu nua.
o teu cheiro. o teu sabor. o peixe. os passeios. e falta aqui qualquer muita coisa, não falta? algo mais que não me lembro agora. A. M.anhã. talvez.
08/02/08
1H02 do novo horário de Inverno, Gafanha da Nazaré (39º29'03,14''N; 9º08'55,99''O), Aveiro, Centro de Portugal.
Uma surpresa, inesperada. Eu que adoro surpresas, mas que acho que os meus amigos nunca me fazem tantas como aquelas que gostaria…
E eu, que adoro fazê-las e me vejo sempre em mais uma, seja por iniciativa própria, seja pela de outros, mas há sempre aquele burburinho, aquela magia, aquele arquitectar,…
Que sinto sempre ‘’ah, os meus amigos nunca me fariam assim, uma coisa destas…’’
E então passo a vida à espera de surpresas, e como tal, é muito mais complicado surpreender-se uma pessoa como eu, que passa a vida à coca.
Enfim, ainda assim, têm-me conseguido fazer algumas surpresas, e louvo-os por isso, não por ter sido um arquitectar difícil, pensado e repensado, imaginado, calculado ao milímetro, mas porque exactamente com a espontaneidade deles, a simplicidade, nas coisas mais pequenas, me proporcionam uma surpresa e momentos tão agradáveis, que talvez nem entendam o quanto são grandes para mim.
E ia eu a falar-vos da última surpresa inesperada. Um convite. Um ‘’faz as malas e partir’’, menos que isso até. Um, ‘’vais assim mesmo, com a roupa que tens no corpo’’, ou ‘’junta só uma muda para amanhã e vamos’’.
E partimos. E tem-se a sensação de bem-estar.
De prazer. De plenitude.
E sente-se ‘’estou rodeada de pessoas boas. Tão boas, que nem devem ter noção, do bem que me fazem sentir’’
E então é por elas, para elas que sinto esta necessidade de vir aqui escrever.
Como uma retribuição, a minha pequena dádiva em gratidão a uma coisa simples, e que elas nem se apercebem (talvez…), que fizeram por mim, para mim.
E sinto que todas elas são íntegras.
Íntegras.
Nunca consigo muito bem explicar-me a mim própria o que é isto do ser íntegro.
Mas sei exactamente o seu significado, quando o sinto. Quando sinto essas pessoas, assim: ÍNTEGRAS.
E depois encontro-me mais uma vez (entre tantas, tantas outras) rodeada de casais. Casais feitos de gente assim: completa, justa, intacta, imparcial, inteira, perfeita, alinhada.
Gente que se encontrou na vida e é feliz junta. Em que se olha e se sente: faz todo o sentido estarem juntos. Faz todo o sentido porque são gente simples, boa, humilde, e disposta a partilhar tudo isto com um outro ser não só disposto a partilhar exactamente o mesmo, como ainda a dar, e a receber,…
E dou por mim a pensar: ‘’Caramba, só eu não estou... junta…’’
E por um lado fico triste e com medo de não ser uma pessoa assim: simples, boa, humilde, … íntegra…
Mas por outro lado, sinto-me preenchida com o amor dos outros, o carinho, a dedicação,… e isso basta-me.
E posso deitar-me sem uns braços para me abraçarem, mas durmo bem.
E com isto fiquei sem escrita.
Tenho os pés frios, estou constipada.
Coisas simples.
Vou dormir para acordar mais íntegra amanhã.
CV, 28/10/2007, Aniversário de 28 anos do RL, a 27/10/07
P.S.: a tudo isto, e depois de tudo isto: os meus amigos... fazem muito por mim... só não fazem mais porque não podem... eu é que sou a estupidamente insatisfeita...
perdoem-me.....
07/02/08
Quero beijar-te.
Quero fazer amor contigo.
Quero ser a tua namorada.
E ao mesmo tempo gostava de NÃO QUERER tudo isto.
Mas se tu quisesses… Se tu quisesses…
Se tivesses os mesmos desejos, os mesmos impulsos…
E porque comecei a sentir-me assim, tão de repente… outra vez… mas sempre tão de repente… talvez o possa evitar, agora que ainda está no início… mas não sei se consigo. Não sei se quero…
Passando à frente
nao passes...
quero beijar-te.......
tique
clic
dei enter
e nao sei se podia. se devia
mas hesito...
e nao escrevo,... e fico só a apalpar o teclado...
05/02/08
Em construção...
A minha mulher tem um sinal na barriga. 4 dedos abaixo do umbigo, e um pouco para a direita. Na perspectiva dela.
Tem um pêlo um dedo abaixo do umbigo. No mesmo alinhamento. Nem mais para a direita, nem mais para a esquerda.
Tem um outro sinal castanho na face esquerda. É bonito. Não é daqueles pequeninos, sem grande piada, mas também não é grande, daqueles exagerados. Tem um tamanho ideal. Tem mais uns quantos a rodeá-lo.
Conheço os sinais todos do corpo dela. Os sinais. Os sorrisos. Os olhares.
Tem 3 sinais na virilha direita. Um deles apareceu há uns dias. Não me lembro de o ver ali…
Tem um sinal carnudo, mas de tamanho médio, ao cimo das costas. Às vezes acho que o devia mostrar ao médico.
Tem um sorriso quando gosta realmente de alguma coisa. Outro, mais leve, a tentar mostrar que gosta, …
Tem um olhar quando tem medo, outro de altivez, …
Tantas peculiaridades por descrever…
Rodrigo Guedes de Carvalho, in A Casa Quieta.
… poderiam já ter inventado, entre tantas coisas de que se lembram, maneira de decidirem por ele, (…)
Para mulher que se sente mal prima asterisco (…)
Para irmão novamente internado prima cardinal
http://bloguivro.blogspot.com/
03/02/08
Tirem-me a vista,
Tirem-me para sempre a luz de Lisboa.
Tirem-me as encostas do douro, o Tejo e o Alentejo.
Tirem-me a calçada dos passeios e os azulejos da parede.
Tirem-me o ouvido,
Tirem-me para sempre o choro da guitarra e o pranto do fadista.
Tirem-me os pregões das mulheres do bulhão e a pronúncia do norte a sul.
Tirem-me a fúria de espuma das ondas e o grito do golo.
Tirem-me o tacto,
Tirem-me para sempre o sol de inverno a bater na cara.
Tirem-me o barro a ganhar forma entre os dedos.
Tirem-me o rosto queimado da minha mãe e a mão áspera do meu pai.
Tirem-me tudo isto, mas não me tirem o gosto,
Porque se eu ainda for capaz de saborear a alheira a rebentar de sabor,
Ou o bacalhau com todos a nadar em azeite,
Serei capaz de dizer, se não me tirarem a fala,
Que estou em Portugal
Anúncio Azeite Gallo – Os Cinco Sentidos
30/01/08
i29.01.08e
Eu queria escrever algo tão simbólico, tão forte, tão denso, tão profundo, … tão tanto do que trouxe comigo, naquela noite.
Queria que houvesse uma tecla onde carregar para andar para trás. Poder ouvir tudo novamente. Falar tudo novamente. Partilhar. Novamente, com a mesma simbologia, força, densidade, profundidade…
Se há momentos únicos, aquele foi um deles.
Se há palavras únicas, foram aquelas.
Se há pessoas como ele, ……………. Há MOME NTOS ÚNICOS.
**
E ficou uma escrita pobre… e vaga aos olhos de meros transeuntes, …
Mas já me deixei de preocupar com esses…
Eu queria escrever algo tão simbólico, e na incapacidade de o fazer, deixo apenas o som das minhas teclas.
Taque.
e a subtileza das letras.
Tique.
13/01/08
03/12/07
AFINAL CONTINUA…
MAS TAMBÉM,… JÁ TINHA
COMEÇADO ANTES…
O QUE NÃO QUER DIZER
QUE ACABE AQUI…
RM, 28/8/2003
(com uma caneta um bocado abichanada, foi assim que assinaste)
e passados 4 anos, é esta a minha REVELAÇÃO:
AFINAL:
Podes vir a qualquer hora, cá estarei para te ouvir
O que tenho pra fazer, posso fazer a seguir
Podes vir quando quiseres, já fui onde tinha que ir (…)
Todo o texto do mundo, para ti, tenho todo o texto do mundo, para ti…. Também, para ti.
E nisto vens-me à cabeça com toda a força. Tenho saudades de falar, (…) tenho 2 pés gelados na cama, 2 pés gelados enquanto estou sentada à secretária, 2 pés gelados a cada passo que dou, e dou por mim indecisa: mando-te esta mensagem para o telemóvel ou não? Para quê?, se não vais responder? Se já pouco ou nada sei de ti?
…
e os meus pés não aquecem….
E não me sai da cabeça ‘’chamada não atendida’’, ‘’Matsu;)’’. (ainda é assim que estás registado na minha lista telefónica. Ainda e sempre esse ‘’pinheiro verde’’…)
E eu, surpreendida. E eu ‘’O Ricardo, ligou-me?’’, ‘’Terá sido um toque?’’ e eu sem dinheiro para lhe ligar, que raiva!
E um turbilhão de coisas, pensamentos, imagens, memórias, cheiros, sons, formas, telas, tintas, recantos, livros, fotos, canções, doces, palavras, areias, estantes, …
Tanto que me irrita, que nem um Mundo muito, muito grande com um texto lá plantado chegavam para tudo. E eu, sempre a sentir-me um grãozinho.
Impotente, pequenino, triste.
Porque sente que nunca vai ser apanhado do chão. E no entanto vai ficar sempre ali. Não vá algum dia haver uma distracção da folha lá do alto, e zás, acontece! Tropeça nele e tem mesmo de lhe tocar. Ainda que não o leve consigo, toca-lhe por breves segundos. Já se aproximou… e o grão respira … e sente-se vivo… e pode permanecer na sua cegueira por mais uns infinitos… (CV, 6/11/07)
E foi assim que voltaste.
VOLTASTE.
À minha tela.
Mesmo sem eu te pingar de tinta.
Mesmo sem eu abrir a caixa dos pincéis.
Eu que além de já ter fechado a gaveta à chave, tinha ainda perdido a chave.
Perdido.
Num desses dias em que um sapato mais distraído e zás. Lá se vai a chave para debaixo do móvel.
eu a pensar: Deixa estar. Não te dobres. É da maneira que não tens a tentação de abrir a gaveta.
E deixei estar. Não me baixei.
E tive este tempo todo a tentação de abrir a gaveta, mas sem chave….
era fácil resistir.
E agora vens tu, desarrumar-me a casa.
Mudas os móveis de sítio, pegas na chave e numa de ‘’encontrei esta chave debaixo do móvel!’’, todo um sorriso só; confiante. Todo ‘’já te deve ter feito falta, e eu é que a encontrei!’’, nesse ar vanglorioso, a espetar com ela na palma da minha mão.
Engulo em seco.
Tu não percebes. Ou finges.
E agora; e agora só tenho de ter o trabalho de rodar.
E qual tentação qual quê. Já estou de gaveta aberta, e zás, tu novamente do lado de fora.
A pingar-me memórias, a borrar a minha pintura, a sujar os meus pincéis,… a… pendurado outra vez na minha parede…
Eu a pensar: Porque é que cada vez que tenho de arrumar a minha vida, estás sempre lá no meio, feito um clipe à espera de ser posto no sítio?
Como tenho sítios para tudo, agora também tenho forçosamente de ter um sítio para ti, não? Na minha gaveta, fora dela, em cima da mesinha, nas paredes,…?
Ainda assim, há clipes que jogo no lixo.
Outros há em que hesito: Até pode fazer falta. Deixa estar. Mete dentro do boião.
Hum, não. Pra quê mais um clipe? Já tenho tantos. Joga fora. (CV, por estes dias…)
16/11/07, entre as 16.45 e as 19H, depois de teres entrado na loja e eu me sentar no espaço de leitura da FNAC. (porque raio complico sempre as coisas? Era um espaço de leitura. Não de escrita.):
podia ter vindo a correr chorar. Podia chorar desalmadamente. Até que o montante de resíduos que me sobram fosse todo expelido. Até que lavas, cinzas e pedras-pomes, todas cá para fora.
Dei-te a cinza do prazer (…)
O meu bem mais precioso
Que eu tinha para te dar (…)
Um dialecto crioulo
Um viço novo no mato.
Podia prosseguir com palavras caras para sentimentos tão pobres.
Às vezes … ou já... tão podres.
Podres pelo tempo…
Sempre são 4 anos.
Nada dura tanto tempo sem apodrecer.
NADA…. Hé? ÀS VEZES!
A Natureza tem destas coisas: ‘’devido ao seu estado fisiológico, à biologia da espécie, aos componentes moleculares, ao local onde foi enterrado, à granulometria do solo, foi possível a preservação deste exemplar, de tão importante valor cultural, paisagístico, social, humano,…’’
E vai daí que os sentimentos não apodreceram. Nem sombras. Nem rés. NADA. nadinha.
O raio dos sentimentos estão exactamente na mesma, nem um cheirito a mofo, nem uma ponta de bolor, mesmo num cantinho que mal se visse.
NADA.
NEM UM BOCADINHO ESTRAGADOS, amolecidos, desintegrados, desarranjados.
NADA.
Ali. Todos por inteiro, e a puta da natureza no seu melhor.
A puta da natureza a não me deixar chorar, para que eles fossem com os freáticos, os lençóis, os lixiviados, e o raio!
NADA.
Eu com tudo cá dentro.
A NÃO APODRECER.
Nesta merda de eternidade eterna, que nunca acaba.
A tua vida que nestes 4 anos não mudou assim tanto. E a minha que não mudou NADA.
NÃO. NÃO vou escrever este parágrafo. Vou riscar.
Afinal o que é não mudar?
A tua vida não mudou só porque tens a mesma casa, os mesmos cães, os mesmos amigos, a mesma família, a mesma namorada?
A minha só porque não tenho casa, não tenho cães, e apesar de ter os mesmos amigos (e mais alguns), e a mesma família (e mais alguma), não tenho namorada? Nem namorado?
É a isto? É a isto que se resume não mudar?
Porra!
Nem pouco mais ou menos.
Não sei de ti, do que fizeste por ti, pelas tuas realizações pessoais (e nem houve tempo para conversarmos de tudo e tanto como gostaria), mas eu mudei e muito.
Viajei, conheci novas culturas, novas gentes, outras formas de agir e pensar, aprendi novas línguas, … e cantigas de outras terras, que percorri de lés a lés,
Tenho uma lamparina, que trouxe das Arábias,
Pra te amar à luz do azeite, num kamasutra, de noites sábias. (…)
Vem, vem à minha casa,
Rebolar na cama e no jardim…
Não fiquei portanto pobre, e nem apodreci.
De contrário.
Mas também não mudei???
É isto que quero continuar a escrever?
É a isto que continuo a dar importância?
À puta da felicidade?
A esta dependência obsessiva em encontrar alguém?
A essa ideia da ‘’nossa’’ casa, os ‘’nossos’’ cães, os ‘’nossos’’ amigos, a ‘’nossa’’ família?
Porra!
Não posso sentir-me pobre, quando alguém me ‘’provoca’’ e zás, tive que vir a correr sentar-me num canto qualquer e expelir estas lavas, estas cinzas, estas pedras-pomes todas cá para fora.
Não posso sentir-me pobre, quando me elogias porque ‘’aprendeste a falar inglês. Já escreves e tudo!’’
Não posso sentir-me pobre, quando ‘’vou falar com o Tiago a ver se dá para meteres textos no blogue das artes’’.
NÃO. Não vou escrever este parágrafo.
Estava a ir tão bem e agora parece que me estou a vender.
A VENDER.
Mais uma vez.
Sempre.
A vender-me.
Eu.
Eu que sou toda ‘’ai não tenho jeito nenhum para vender’’, estar ali a impingir coisas às pessoas.
NÃO! Isso não faço!
Vou antes escrever que estou indecisa entre continuar a escrever ou ir buscar um livro do Lobo Antunes (de quem tenho tantas saudades), já que estou num Espaço de Leitura e não de Escrita.
Se fosse tão fácil vir a Lisboa num dia e mandar-lhe uma mensagem para vir tomar um café comigo…
Talvez não houvesse este texto, e com certeza: eu estaria mudada.
Mais rica.
E com a podridão ainda mais longe de se dar.
E como não consigo largar o lápis vou levantando o olhar, que se prende imediatamente num rapaz mulato, bem parecido, ali num canto a dormir. Deve estar cansado. Deve estar à espera da namorada… penso.
Sim, hoje em dia quem não tem namorada, namorado?
E volto ao mesmo assunto.
PORRA!
Vou buscar o Lobo Antunes.
Já chega!
Estou proibida de continuar aqui.
Estás proibida de escrever aqui!
Levanta-te!
Passa em frente ao rapaz. Vê se ele abre os olhos quando passares e cruza o olhar com o dele.
Deixa-o curioso.
Insinua-te. Como só tu o sabes fazer tão bem.
Ou vai agora rápido, sentar-te ao lado dele, que já saíram todos. Ou escreve um bilhetinho com
www.evirgula.blogspot.com (desculpe o ab(uso). Não pense. Não reaja. Leia apenas. Se quiser.)
e deixa-o em cima das coisas dele.
Sim. Porque não informar um dos muitos desconhecidos sobre quem já escreveste?
Que ao fim ao cabo usaste? E que se não lhes disseres, não chegam a saber de nada?
Fui buscar o ‘’D’este viver aqui neste papel descripto’’ e sentei-me em frente ao rapaz.
Pensei sentar-me ao lado dele para o bilhetinho, zás em cima das coisas dele, ‘’ai sem querer. Ai. Voou!’’
O plano já efectuado, mas já não havia lugares ao lado dele e acabámos neste frente-a-frente, ele nas suas leituras, no Espaço de Leitura. Eu, ora nas minhas leituras de um Lobo Antunes sempre a agradar-me com os seus ‘’… lembro-me (…) do sinal do peito do teu pé, do teu dente de ouro, do canal da tua nuca, e gosto absurdamente de todos: minha senhora, eu amo-a’’, ora nas minhas escritas, ora e no meio delas os nossos 4 olhos que se cruzam, finalmente. Que param, que apreciam, e se viram, cada par para seu lado.
E penso no amor… esse sentimento… outra vez… as escritas de Lobo Antunes. A imponência do grito altivo: ‘’minha senhora: eu amo-a’’. E esqueço-me logo do rapaz mulato. E vem-me ao lápis o motivo deste texto:
Os teus lábios, os teus dentes, a tua língua, a tua boca toda; os teus gestos, os teus olhos, o teu cabelo, o teu corpo; tu todo.
IGUAL.
Não mudou NADA.
Não é só a casa que é a mesma. Os cães que são os mesmos. O lalala e o resto que é o mesmo. És tu todo que és o mesmo. Igual. Nem uma ruga, nem uma imperfeição. NADA.
It’s meeting the man of my life and then his beautiful wife
Isn’t it ironic?
Sempre são 4 anos.
Mas Tu, sem apodreceres também. Nem sombras. Nem rés.
Nem um pêlo a mais, num cantinho de corpo que mal se visse.
Tu, NEM UM BOCADINHO ESTRAGADO, amolecido, desintegrado, desarranjado.
NADA.
Ali. Todo por inteiro, e a puta da natureza no seu melhor.
A puta da natureza a não me deixar chorar, para que TU FOSSES com os freáticos, os lençóis, os lixiviados, e o raio!
NADA.
Eu com tudo DE TI cá dentro.
A NÃO APODRECERES.
Nesta merda de eternidade eterna, que nunca acaba.
VOU. Vou escrever este parágrafo. SEMPRE. Até mudar.
ISTO TUDO e eu inteira. A não chorar. A não expelir.
Eu que fazia tudo IGUAL. Contigo. Outra e outra e outra e outra vez outra vez, vês, vês?, sim, ainda.
Para RM, na Décima: Achas que, NÃO FOI: a ‘’nossa’’ casa, os ‘’nossos’’ cães, os ‘’nossos’’ amigos, a ‘’nossa’’ família, PORQUE sou pobre?
Pobre.
Pobre a todos os níveis...
e triste.
- Indeferido –
Eu, porque isto tudo ainda não apodreceu cá dentro.
Eu, num grito silenciado e a fazer de ti um conhecido especial sobre quem já escrevi. Sobre quem já escrevi, tanto…
Que já informei tanto.
Que ao fim ao cabo usei. Mas que disse sempre, para que soubesse: TUDO.
Bato a porta devagar
Olho só mais uma vez (…)
Frágil como as asas de uma vida
É o riso, é a lágrima, a expressão incontrolável (…)
É a sorte, é a sina, uma mão cheia de nada (…)
Mas nunca, me esqueci de ti
Não, nunca, me esqueci de ti.
E neste Sempre a escrever às tuas custas, à custa destes resíduos sentimentais que não param de entrar em erupção.
E é com este Sempre que quero conquistar esse blogue das artes.
Com este Quero, dito, escrito, com a mesma imponência do grito altivo: ‘’minha senhora: eu amo-a’’.
E é contigo (e não comigo) que os quero convencer.
Eu não sou nada.
Eu não fiz nada.
Eu só fui apanhada pela lava de um vulcão, que quando expeliu o que tinha lá dentro, me deixou queimada. Para sempre. Nesta puta de eternidade eterna.
que nunca acaba, nunca acaba.
Nunca acaba.
Porque
AFINAL CONTINUA…
MAS TAMBÉM,… JÁ TINHA
COMEÇADO ANTES…
O QUE NÃO QUER DIZER
QUE ACABE AQUI…
28/11/07
SINTO-ME
exposta
desprotegida
com pequenas coisas a mexer, remexer, trazidas à tona da água.
E eu, no meu barco, com tantas e tantas gotas de suor que sempre quis esconder, engolir, fazer desaparecer, AFUNDAR, … e agora aqui EXPOSTAS, TRITURADAS.
E não posso. E não devo. As mãos. O olhar. A expressão incontrolável… não podia ser de outra maneira…
E não posso. E não devo. A voz. O volume, a entoação. O corpo. O olhar.
Dou valor a cada uma das pessoas, ao trabalho delas, ao mérito. Às palavras de um Sérgio…
Sinto exactamente o que ele diz.
SINTO.
Sinto a luta interior de uma Joana.
SINTO.
as palavras de uma Ana, de uma Sandra, de uma Susete, com tudo o que ocultam, o que não expõem.
Temos de nos obrigar a nós próprios ‘’coisas assim’’: Larga a caneta (a caneta que agarramos desde que nos conhecemos); Não encolhas os ombros (o encolher naquele jeito que é tão nosso); Não sejas tão expressiva (não ser tão expressiva? São 28 anos de expressividade!); Não sejas monocórdico (e a nossa voz sempre naquele tom…); Não metas as mãos nos bolsos! (onde elas estavam tão mais à vontade, tão confortáveis, tão... escondidas… tão … SEM MEDO…)
E sinto
a garra de uma Raquel, a timidez vaidosa de um Filipe, a integridade de um Renato, a humildade de um Armando, o mistério numa Carina, o altruísmo de uma Célia, e as suas ideias fixas..
Mas continuo a perguntar
Como lutar? Como mudar? Como melhorar?
E sinto o riso de uma Anabela,… contagiante…
o ondular na espuma de uma Neuza, tão menina…
o riso na expressão de um Bruno, tão… como dizer? … tão ele. Não sei.
Não sei, mas sinto e partilho convosco o vosso expor.
09/10/07
O texto maior do Mundo para o amor mais curto da Terra.
apago o cigarro, mas tu chegas, naquele momento exacto em que eu estava pronta a despejar o cinzeiro, e pegas no cigarro e acende-lo.
e vejo a chama no isqueiro, a ponta vermelha do cigarro. tu a inalares-me novamente... tu a deitar fora o restante fumo.
eu entre os teus dedos, eu entre os teus lábios. eu confusamente um cigarro quase despejado.
eu já sem fogo.... eu de volta ao cinzeiro.
eu que recuo e avanço. eu que me permito arder por algum tempo. eu que me permito arder por algum tempo. eu que me permito arder por algum tempo. eu que me esforço por tapar a entrada de oxigénio e apagar toda a brasa que me acendeste.
eu que já estava quase boa, quando tu chegas novamente e me pegas outra vez.
e agora veio-me à ideia de me poderes ''raptar'' do meu maço de colegas, e me levares contigo por umas horas, onde possamos estar a sós, onde possamos desfrutar, tu da minha 'pimenta', eu do teu 'sal'.
eu a desejar que deixes de promessas, promessas, e tomes uma atitude.
eu a saber que não podes (talvez não possas), mas que desejas (talvez desejes)....
e hoje o meu desejo está aceso, mas amanhã vou ter que....
apago o cigarro...
e se o nó da pulseira preta que trago no braço não fosse tão apertado como o nó que tenho na garganta, tinha que ir já atirá-la ao mar, para o desejo se realizar.
…
eu que até da tua ex-namorada tenho ciúmes. E já foi há uns anos que tu… lhe percorrias o corpo com as mãos, que tu… excitadíssimo… que tu… suado de prazer… que o teu corpo nu junto ao dela. Que ela… te conquistou. Porque eras livre.
Eu que te quero conquistar. Livre.
Eu que quero o teu corpo nu no meu. Eu as tuas mãos excitadas, eu prazer suado entre os teus gemidos quentes.
eu livre. livre disto tudo e a tua amizade. só.
eu livre da carga sexual destas minhas palavras. eu a tentar explicar que nelas há também, há ainda, há acima de tudo, tudo aquilo que está em redor do ''simples'' acto de juntar 2 corpos. e o que está em redor é a cumplicidade, o carinho, o respeito, o diálogo, a amizade, os sorrisos, a partilha, as aventuras, a descoberta, as gargalhadas, a ajuda, o friozinho na barriga, o riso, a entrega, a dedicação, a luta,...
tudo aquilo que faz com que acima de 2 corpos juntos, haja 2 pessoas juntas.
e juntas não tem que ter etiquetas, (...)
Quer dizer, até ao dia em que os corpos já não resistem mais.
às vezes nem acredito que estou a escrever tudo isto para uma pessoa que já tem uma ''etiqueta'',....
e obrigo-me a testar os meus impulsos, os meus desejos, para tentar perceber até que ponto são estatisticamente válidos e significativos.
até que ponto posso fazer isto.
....
mas tu estás tão longe de tudo ISTO, tão a leste dos meus sentimentos,...
(...) não faz sentido nenhum eu querer beijar-te, pois não?
não faz sentido querer fazer amor contigo, pois não?
ser tua namorada, pois não?
Não faz sentido querer tudo isto e ao mesmo tempo NÃO QUERER, pois não?
QUERER CUSPIR.
DEITAR-TE FORA.
como se faz a uma boa chiclete.
não faz sentido querer-te uma noite, várias noites. Uma cama. Várias camas. Só dois corpos. Os nossos. POIS NÃO?
... E por isso faz sentido (não faz?) manter-te informado de tudo isto. Se calhar por cobardia, se calhar por ser tudo tão pesado, e eu tão pequenina e fraca... se calhar porque não aguento tudo cá dentro sozinha....
…
Conheci-te. Temos este amor proibido.
Não. Não temos, porque não é amor.
Temos muita cumplicidade. Trocamos sorrisos, abraços. Olhares. Falamos dos outros. Falamos de nós.
Tocamo-nos subtilmente. Sinto-lhe os dedos frios.
Saímos juntos. Rimos juntos. Acabo por dormir em casa dele.
Saímos juntos. Dormimos juntos. Cedemos…
Quero beijar-te.
Quero fazer amor contigo.
Quero ser a tua namorada.
E ao mesmo tempo gostava de NÃO QUERER tudo isto.
Mas se tu quisesses… Se tu quisesses…
Se tivesses os mesmos desejos, os mesmos impulsos…
E porque comecei a sentir-me assim, tão de repente… outra vez… mas sempre tão de repente… talvez o possa evitar, agora que ainda está no início… mas não sei se consigo. Não sei se quero…
Mas quero-te. Comigo. Uma noite. Várias noites. Uma cama. Várias camas. Só dois corpos. Os nossos.
…
Don’t mess with me! … e eu para mim própria: Porquê? Tens medo de gostar? De querer? Tens desejos?
Queres?
Podemos tentar… se tu…
Não é possível duas pessoas apaixonarem-se uma pela outra automaticamente? Independentemente se têm uma relação com alguém? Como controlam todos estes sentimentos, estes desejos, estes impulsos?
…
Apaixonei-me pelo homem que não devia.
Não.
Não me apaixonei.
Não estou apaixonada.
O certo é que não paro de pensar nele. Noite e dia. É ele que me move.
Imagino-o a conversar com um colega de trabalho, todo preocupado comigo:
- Vou embora.
- Olha que a Carla queria boleia.
- Não está ali.
- Hum…
Imaginei tudo isto, e depois ele chega à minha sala e diz: Então, deixaste o Afonso ir embora?
Help is coming as long as you believe.
Imagino-o uma noite comigo. Várias noites.
E depois ele chega à minha cama. À minha vida.
Gostava eu!...
E não faço ideia do que pensaria ele, de como reagiria ao saber tudo isto.
E não faço ideia do que sente por mim. Como sente.
Se reprime.
Se não sente.
Se evita.
Se não consegue evitar. Mas também não dá um passo em frente. É tímido diz ele. Mas também não posso ser eu a fazê-lo.
Esta é uma vez em que não posso ser eu a fazê-lo.
Eu sempre disse que queria uma vez em que não fosse eu a dar o primeiro passo.
Aqui tenho.
E não tenho.
E espero.
E não sei.
E quero.
E temo.
E tenho dúvidas.
E recuo.
E avanço.
E pico. E provoco. E rio. E há algo. E há cumplicidade. E quero beijá-lo. E reparo nos contornos dos teus lábios. E na risca dos teus olhos.
Não é risca, mas parece que tens os olhos pintados.
E não tens.
Mas é bonito.
E reparo no nariz. E no cabelo. E no corpo. Nos ténis.
Eu que não sou de reparar nos sapatos.
E reparo nos braços. E penso… num abraço… numa carícia apertada.
Nós os dois. Nus. …
tu um dia a não resistires. Eu a sair do teu carro, tu a segurares-me o braço no segundo antes de eu pôr a perna esquerda de fora. Tu a dizeres qualquer coisa atrapalhada, a puxares-me contra ti e a beijares-me. A beijares-me e a não resistir.
Eu sempre invadida por pensamentos: gosto. Desejo. Quero tê-lo. E depois tenho mesmo, e gosto mesmo e desejo, e sinto-me bem.
E isto já aconteceu outras vezes. Primeiro o pensamento, o desejo, depois a realidade. O ter.
E assim, quero que todo este processo também aconteça contigo.
E quando se quer muito, consegue-se.
E quando se acredita.
Acredita com muita força. Acontece.
E ainda estou a mastigar a tua frase de hoje à tarde: Don’t mess with me!
E eu a sentir que tu queres dizer exactamente o contrário. E eu a sentir o que tu sentes. A puxares-me para ti, como eu te puxo para mim.
Eu a sentir-nos enrolados.
Não me desarrumes, não me confundas, não me baralhes, … que eu não posso,… mas quero.
Tu a picares-me com outros, porque não me podes picar contigo próprio. Mas é isso que queres.
…
A retórica provocante de um amigo comum:
- Ah, you want to taste him!
E eu a responder:
- no, I don’t.
mas a querer dizer Yes. So much. Too much…
e pensar que esta não é a primeira vez que sinto algo por ti.
Que já no ano passado, me sabia sempre bem, quando estavas presente.
E quando me der a loucura paro de escrever este texto por uma noite e volto na manhã seguinte, ainda com mais raiva, ainda com mais vontade de escrever, escrever, e não parar, não parar, NUNCA, até dizer tudo, até me cansar, a ver se os meus desejos desaparecem,… e sei que não vão desaparecer, sei que não vou conseguir evitá-los, nem que escreva este texto tanto, tanto, que ficasse tão grande e só parasse em Marte. Nem que escreva todos os livros do mundo. Porque hoje acordei com mais pujança do que ontem, e amanhã vou querer acrescentar mais umas frases, e depois de amanhã mais esta coisa quando começo a fechar as mãos e a fazer força, nervosa, e pra semana mais uns sentimentos, uns desejos, e depois também, e depois e depois, e também, e também,…
Nem que já não faça sentido.
And it’s supposed to be love
Qual é afinal o sentido do amor?
Empanquei.
Empanquei.
Acho que agora não consigo escrever mais nada.
Vou parar.
Mas por 2 minutos.
Não fujas.
Não fujas, que se conseguir não parar nunca de escrever este texto, 1º: acho que posso aprender algo enquanto escritora, acho que posso melhorar, maturar, evoluir… 2º: posso vir a entrar no Guiness com o maior texto do mundo.
Não me lembro de ouvir falar disso. Ainda por cima com um texto que fala de amor. Amor, essa coisa sem sentido, mas que faz mover as pessoas. Que as faz escrever textos como este. Um bocadinho mais pequenos, talvez.
Mas faz.
Mas não quero entrar por essa via lamechas, se não que o amor é, em geral, um sentimento por tudo e por todos, que nos faz seguir em frente, que nos faz acontecer, que torna um mundo bom, e todos esses lugares-comuns que pudesse acrescentar aqui, só pra pôr mais umas palavras sem sentido, fazendo com que este texto ganhe mesmo um Guiness.
…
Porque me tenho que sentir uma criminosa só porque mexes comigo?
Só porque sinto que gosto de ti?
Gosto de ti! É bom!
Mas pronto. Voltei à estaca zero e o maior texto do mundo vai perder todo o sentido e acabar mais cedo, na Lua, porque com a namorada, tu tens todos os extras que vêm com essa ‘etiqueta’: a irmã, o pai, a mãe, o carro, a cidade, a ilha, ….
E aqui fica então:
O texto maior do Mundo para o amor mais curto da Terra.
P.S.: Foste meu namorado. Por 10 dias. Tu é que não soubeste.
Repartindo esperanças e mágoas, por tudo o que é vento.
(…)
Que há-de ser da mais longa carta…
(…)
Já fizemos tanto e tão pouco, Que há-de ser de nós?
…
Comboio para Lisboa.
Penso em ti. Mas estou serena. Nada melhor que um dia de sol e uma viagem de comboio para me acalmar. Para inspirar e sentir esta serenidade. Esta beleza.
Ontem entre o rápido pensamento ‘’gosto de ti. Não é bom? Afinal qual é o drama? Porque são tão estúpidas as pessoas, quando não sabem reagir a isso?
Veio-me ao pensamento:
Apetece-me cuspir e mandar-te fora da minha vida. Sinto repudia. Apetece-me espezinhar-te, apagar-te.
Perdes o medo de estar só. No meio da multidão.
E agora que já sabes de todo este meu sentimento por ti, agora que já não vai ser igual, a nossa amizade (este meu medo sempre…), agora que sinto que não vou conseguir conviver contigo nem com isto dentro de mim. E vou andar sempre nervosa, e sem comer, e sem saber como agir, o que dizer,…
E no minuto seguinte sinto: NÃO. Levanto a cabeça. Estou serena. E sorrio. Sorrio sempre. Como só eu sei sorrir. À minha maneira. Deste jeito que tu sabes. E sigo em frente. E não choro. Nem por uma lágrima.
…
quero andar de bicicleta. Contigo. Caminhar na montanha. Contigo.
Assobiando as melodias mais bonitas
(…)
O meu desejo fez as malas e fugiu.
Tantas e tanta músicas que adorava ouvir contigo.
Adorava um abraço.
Outra vez.
E outra, e outra,…
Tão inocente, tão espontâneo, tão teu,…
E enquanto me lambuzo até à última gota de iogurte, atento aos movimentos da minha língua e penso há quanto tempo o último beijo…
E penso na tua língua na minha… no friozinho na barriga…
Nada mais de ti agora. Só este beijo imaginado.
Só as tuas mãos na minha cara. Só esta carícia imaginada.
Portanto, quando na outra noite me perguntavas na brincadeira Mas pensas que sou teu namorado?, tenho a dizer-te:
PENSO! Penso. Com todas as letras. Imagino.
ÉS! Tu é que não sabes.
É como os miúdos pequenos quando lhe perguntamos
- Tens namorado?
E eles:
- Tenho.
E nós:
- E ele sabe?
-Não…
Ou:
- Quem é o teu namorado, Carla?
- É o Pedro…
E ela corada, envergonhadíssima, a correr, a fechar as mãos nervosas na saia da mãe,…
- E tu, és a namorada dele?, nós ainda a chatear.
… e um encolher de ombros, uns olhos a fecharem-se, e ela a fugir.
E o facto é que vieste, num abraço. Ali. No meio de toda a gente. Como no fundo eu não tinha imaginado. Envolveste-me com os teus braços. Nesse jeito inocente. Espontâneo. Tão teu…
E soube tão bem…
…
ADORAVA, que viesses de repente, num beijo no meu pescoço. Nessa mesma velocidade com que sais para fumar um cigarro. Que viesses por trás e num ápice: um beijo. No pescoço. O meu. Na cara. A minha. Um simples beijo. Um gesto de carinho. De amizade. Podia ser esta a justificação, a desculpa. Não podia?
Já viram o que era ele desafiar-me numa de tête à tête?
- Mas que é que tu queres?, todo costas direitas, peito esticado para a frente, armado como um galo, bem junto a mim, a olhar-me com aquela importância toda de uma crista altaneira, e depois cair na própria jogada e desarmar, e perder toda a postura, e descompor-se, todo enlaçado em mim, todo desarrumado, todo confuso, todo baralhado, e um beijo.
Um beijo. Num ápice.
Um beijo, sem querer.
Um beijo querido.
Um beijo evitado.
Um beijo.
Só um.
Um grande.
E depois… Opá… isto não devia ter acontecido…merda… Ele irritado, ele a andar de um lado para o outro, ele atrapalhado nos gestos, ele mãos a coçar o cabelo, ele confuso,…
….
Mas o facto é que vieste. De repente. Não num beijo no meu pescoço, mas numa espreitadela rápida, por trás de mim, a picares-me.
E eu, desato numa risota interior, a pensar que se continuar a escrever todos estes meus desejos, pouco a pouco (é só preciso ter paciência… essa minha qualidade fraca…), eles vão mesmo virar realidade, e mais noite, menos dia, estamos os dois rebolados numa cama, no meu prazer suado entre os teus gemidos quentes.
AI!
Quero ir aí, junto da tua cadeira, abraçar-te por trás. Dar-te um beijo. Na bochecha.
Ou que venhas tu. Me abraces. Me dês um beijo. Sabes, como se faz aos bebés? É isso. Apertar-te. Apertar-te muito.
Fui estender-me na praia, sozinho ao relento
(…)
Acordei com o toque suave de um beijo
(…)
E escrevemos no espaço um novo alfabeto
Cuspir-te, porque afinal não passas de um chupa. E quando se acaba, os meninos pequenos deitam fora o pau.
Ass.: O maior texto do mundo… e ainda não está acabado.

