Carla Veríssimo cria site para se dar a conhecer e ao seu trabalho.

Carla Veríssimo cria site para se dar a conhecer e ao seu trabalho| http://cavverissimo.wix.com/carlaverissimo

31/03/07

Tributo a Felipe

O INVERNO, para mim, é imaginar a casa do Felipe. Imaginar nós os dois e uma lareira acesa. Nós sentados num tapete felpudo, no chão, junto à lareira.

Uns almofadões espalhados pela sala. Umas velas acesas a uns cantos ou nenhumas velas acesas e só a luz das chamas.

Nós os dois a tomar chá e a conversar. A conversar a noite inteira. A rir,… ele a tocar…

Imaginar nós os dois a cantar.

A conversar. A conversar.

A con…. Até cair de son…. E adormecer ali mesmo, já quando não há chamas. Já quando só há duas ou três brasitas acesas…

e nós aninhados no sofá, enrolados em mantinhas de lã…

18/03/07

27. Fev 07

Estação de Metro de Sintagma, 20H15min: Concerto de Rebetiko, pela Greek Orchestra

Este sítio é incrível. Porque saímos do metro, do bulício das gentes, das correrias, dos corpos entalados nas portas do metro já quase em andamento, e entramos numa sala ampla, quase sem dar por ela, porque está logo ali em frente às escadas rolantes. Mas para o lado de cá das portas abertas desta sala, há música, há dança, há performances, vídeos, quadros na parede, pinturas, ... Há paz. Há esta boa sensaç
Ao de quando se está num concerto ao vivo.
Desculpem, não consigo escrever melhor o que estou a sentir... é difícil... mas para terem uma ideia a Orquestra canta ‘’There is nothing we can do, life is always like this, to laugh or to cry, every day and every night’’.
...
ainda assim vou tentar explicar um bocadinho melhor esta sensação que tenho, aqui nesta sala, porque não sinto que tenham entendido.
Há gente que sai do metro e decide cruzar as portas abertas desta sala e começa a deambular aqui dentro, a apreciar os quadros nas paredes, e como a Orquestra continua a tocar, estes transeuntes podem também disfrutar da música. E nós aqui sentados, apenas a apreciar os sons do piano, das buzukias, do violino, da guitarra e do clarinete, somos um pouco como os quadros nas paredes, e aposto que alguém nos está a apreciar neste preciso momento.
E a imagem que tenho é a das bonecas russas, umas dentro das outras. Neste caso, quadros dentro de quadros. E lembro-me ainda do Mundo de Sofia e as marionetas nas mãos de um desconhecido qualquer.
Assim, às gentes em correria para entrar no Metro, todos estes quadros lhes passam COMPLETA e literalmente ao lado.
e a frase certa para tudo isto é: Is to feel peace in the middle of the crowd!

05/03/07

Klimataria

não vos venho falar da Acrópole, de Ágora, Sintagma, Kolonaki, Victória, nem de Monastiraki, da Rua Ermou ou do Teatro de Herodes Attikus.
não vos venho escrever sobre Rebetiko, Cariátides, Zappio, Plaka, Areopagus, nem sobre o Temple of Olympian Zeus, nem da Estação de Comboios de Omonia (a minha favorita), nem da Manifestação dos Estudantes, por um ensino publico gratuito.
não vou falar do Estádio Olímpico, nem de Savina Yannatou, kanonaki ou buzukias. 
muito menos falar-vos da igreja Kapnikarea, na Rua Mitropoleos, "vendida" nos panfletos turísticos como ''A igreja debaixo de umas arcadas". Acontece que na urgência de uma Atenas em expansão, onde dos 10 milhões de habitantes de toda a Grécia, 4 milhões se engalfinharam na Capital, alguém decidiu construir um prédio enorme com arcadas POR CIMA da dita igreja...
E é assim que um tão grande desordenamento urbano, ao invés de provocar a ira, gere um ponto de interesse turístico!!
Assim que não vos venho falar de nenhum destes lugares-comuns, mas sim de um lugar, talvez comum em muitos lugares existentes por esse mundo fora: O RESTAURANTE KLIMÁTARIA.
UMA CASA sem explicação. Só vista!
lamparinas de petróleo a iluminar as mesas. mesas pequenas de madeira. cadeiras com acento de corda entrançada e para que o rabo não sofra muito, algumas têm umas almofadas velhas e sujas em cima, mas feitas de arraiolos!!! Outras têm uns tapetes, outras uns pedaços de napa, outras naperons,...
a iluminar a sala, além das lamparinas a petróleo e de uns candeeiros pendurados na parede, tipo altar, há duas velas de cera à minha altura. Literalmente à minha altura!
há ainda uma lareira acesa e nas paredes... enfim... como escrever... tudo e mais alguma coisa que possam imaginar que o homem tenha acumulado vida FORA, mas que tenham ficado ali DENTRO daquele lugar!!
gaiolas, panos, raquetes, espanta-espíritos, detergentes, camelos de plásticos, cassetes, ... e ali ao canto, um amontoado do que qualquer pessoa chama LIXO, bordel, o degredo, sei lá! há tanta, tanta tralha, que o amontoado faz continuação com as belezas penduradas nas paredes!
malas, cobertores, aparelhagens, tapetes farfalhudos, guitarras partidas, roupa, roupa, roupa, candeeiros, bonecos de peluche, bonecos de plástico, roupa, roupa, roupa,... bancos,...
e depois disto tudo, provavelmente nenhum de vós jantaria num LUGAR tão comum quanto este!! A NÃO SER, que eu faça dele um ponto de interesse turístico, como os construtores do edifício das arcadas, fizeram com a igreja...
A imagem disto é mais ou menos a mesma de quando fui a casa de umas primas, e a avó delas tinha tanta, tanta, tanta, mas tanta roupa amontoada na estreita entrada de casa, que quando o telefone tocava, ouvia-se um som muito ao longe, ou nem se ouvia, ou não se sabia onde estava o telefone.... e claro, estava debaixo do monte de roupa...
assim que a entrada deste 'Restaurante' é exactamente assim, estreita e com um monte de roupa, de bonecos, cassetes, telefonias, .... talvez com a diferença que não vi nenhum telefone. Mas não sei se estará lá debaixo!!
Aqui também não faltam teias de aranha! Qualquer pessoa já teria, inclusive pensado nisto. Nisto e em todos os animais amiguinhos destes ''places'', tipo ratazanas, baratas, pulgas, caraças e daí pra baixo!!
E acreditam que o Restaurante está cheio?!
Pergunto-me se existirão mais lugares como este, por esse mundo-comum fora?
O jantar: beringela laminada e frita, muito boa! Salsichas, tipo Alemãs, com tomate e oregãos. Boas, boas! Queijo feta, frito e um psomi (pão) fantástico!
Há gatos em cima das mesas e as pessoas a jantar! E um deles a espirrar-se todo! Onde é que eu já vi isto?!
Entretanto reparo nas mãos do dono do ''Restaurante'' (que é quem serve às mesas)... Elas não estão sujas, estão... negras, IMUNDAS, sei lá, encardidas do tempo!
será que a comida sabe melhor por causa disso?! 
Chama-se Makis, tem 70 anos e tá sempre a dizer asneiras, como ''Gamôto''.
Vem à mesa ao lado da minha e vejo-o espremer um limão, com as mãos encardidas do tempo, para cima duma salada!
Quando o Iannis lhe disse que eu sou Portuguesa, começou logo a dizer Ah, Amália Rodrigues, Amália Rodrigues, Piaf and Muskuri, ena!! (ena, significa Um).
E disse ainda que a voz da Amália não vai voltar existir, não vai voltar a aparecer voz como a dela. Portugal teve bons cantores, mas como ela não há. Aliás, a voz dela não é de Portugal.. é do Mundo!
E lembro-me daquela música Todos nós temos Amália na voz/E temos na sua voz/A voz de todos nós!
Depois falou também da sua Teoria acerca das Relações Humanas. Disse que quando conhecia uma mulher, primeiro ia para cama com ela e só depois falavam de coisas da vida, música, arte, religiões, o que fosse. Porque de outra forma, o coração estava sempre acima da razão, ou a vontade do corpo acima do pensamento e não se estava totalmente livre para conhecer totalmente a outra pessoa. Assim, que satisfeitos os impulsos, podiam então conhecer-se!!...
Os gatos continuam a saltar de mesa em mesa e a lamber os pratos, agora só com restos.
Eu comi tanto, e tantos fritos, que fiquei mal disposta. A ponto de ter que pedir uma água das pedras. E não é que o Makis abriu a garrafa à minha frente?? Sabem como sou com estas coisas dos ''mínimos'', e ''não se traz uma bebida ao cliente já no copo''!
Enquanto saboreio este carinho na minha alma, penso que cada tralha em meu redor tem uma história, um porquê de estar ali, um passado útil.
Reparo ainda num quadro na parede assinado pelo Makis que diz A música é uma espécie de amor, um carinho nas nossas almas, e o artista respira através dos aplausos. 
E de aplausos respira também Marta, uma rapariga na mesa ao lado, que canta na sua voz bonita, enquanto os amigos tocam.
To logariasmo: 20 evro!


01/03/07

Como se não houvesse amanhã

As nossas fotos de viagem podiam ter sido eu com aquele sorriso de parva e a cara de lado, uma mão não sei onde e a outra em cima das costas do sofá cor de rosa-velho.
Podia ter sido nós a inventar que era a nossa sala de estar à direita e a nossa suite à esquerda.
Mas foi o nosso quarto, com espelho na parede, é certo. Mas foi a nossa sala ali do outro lado do corredor, sem sofás nem nada; só a ficha para carregar o telemóvel.
Foi a nossa sala de ballet, posteriormente ocupada por uma não nossa convidada. Foram os nossos vizinhos na casa sem paredes, embrulhados um no outro e que se decidissem fazer amor, sexo ou o que fosse nós víamos tudo. E ouvíamos!
E foram ainda as velhas a chegar primeiro do que nós ao sofá rosa-velho. A chegar primeiro por alguma razão que só os ossos delas conhecem, justamente para que daqui a três horas, fora as outras 3 que já passaram desde que entrámos no barco, não esteja um osso a cada canto e as velhas desconjuntadas, ainda mais partidas do que eu.
Foram as velhas a chegar primeiro ao sofá rosa-velho para não acordarem a meio da noite, exactamente a meio e, em vez de beberem um copo de água ou irem à casa-de-banho, começarem a escrever que As nossas fotos de viagem podiam ter sido eu com aquele sorriso de parva e a cara de lado, uma mão não sei onde e a outra em cima das costas do sofá cor de rosa-velho.
Ass. Carla, 3.10 da manhã, que entretanto já passaram 10 minutos desde que comecei a escrever isto. A escrever e a flatular-me toda como se não houvesse amanhã, já diria a Guil!
Olha, e agora a Alexandra tá a roncar!! Lindo!! Ah! E a nossa não convidada também e ainda mais alto!!



g

Our trip photos could have been me with that stupid smile, my face turned, one hand I don’t know where and the other one above the back of the old-pink sofa.
Could have been me inventing that it was our living room on the right and our suite on the left.
But it was our bedroom with a mirror in the wall in fact. It was our living room on the other side of the hall without sofas, without nothing. Just the plug to charge the mobile.
It was our ballet room, later occupied by one uninvited woman.
It was our neighbours in the house without walls, hugging each other and if they had decided to make love, sex, whatever and we could see everything. And listen!
And it was also the old women getting first in the old-pink sofa for some reason that just their bones know, maybe to avoid leaving one bone in each corner after 3 more hours of trip and not to be as broken as me.
It was them getting first to the sofa to avoid waking up in the middle of the night, right in the middle, and instead of drinking a glass of water or going to the bathroom, beginning to write that Our trip photos could have been me with that stupid smile, my face turned, one hand I don’t know where and the other one above the back of the old-pink sofa.
Sig. Carla, 3.10 a.m., because 10 minutes have passed since I started writting this. Writing and farting, as tomorrow never comes, like Guil says!
Oh, and now Alexandra is snoring!! Great! Oh! And our uninvited too and even more loudly!

26/02/07

O meu primeiro poema grego!!

Para poli tipota toogariasmo ti kanis paralia miga eci né kala aftó guitzés oréa triti efgaristó símera avocatô elaré souvlaki kalispera oxí nero elefterias bouzukia alá apó iné zoí cromata den parakaló fortetza egó pâme mono paraskevi yassas afti avrio edó s’agapo ipomena musique lipon lefto kalikandzere ergumé dromo bougatza coma tria tikanete malacas ladi tessera avgá. Tessera. Mia docis cacau. Mia! Pandu more du levis i kasevis? Déftera éna blé portukáli milao spiti vivlio ecató. Alithia ? odos ssaranda póli kubi squilos imé. katalavés? Rruvardás diladi aftá salami PERIPTERO kalinichta dacsi potiri amácsi esfugaristra zarrari gála peripétia évro pende ómorfos psira cráci próto ghata léo émis thélo

Muito muito nada conta como estás praia mosca tu sim bem santinho tá bem terça obrigada hoje abacate então souvlaki boa-tarde não água liberdade bouzukia mas para é vida cores não por favor fortetza eu vamos só que sexta olá ela amanhã aqui amo-te tenho dito música assim dinheiro kalikandzere já vou estrada bougatza ponto três como estão malacas (punheteiro) azeite 4 ovos. QUATRO. Meia dose de cacau. Meia! Em todo o lado caraças trabalhas ou brincas? Segunda uma azul laranja falo casa livro cem. A sério? Rua. Cuarenta cidade botão cão sou. Percebes? generoso ou seja aquela chouriço quiosque boa-noite ok copo carro esfregona açúcar leite aventura 5 lindo piolho vinho primeiro digo nós quero.

14/02/07

E ainda, o ABORTO

O sim ganhou, mas a discussão pode e deve continuar. Aliás é mesmo isso que se quer.

Não basta um ''Sim''.

Não quer dizer que agora podemos deixar de usar preservativos. Por favor, a SIDA existe!!! É o velho lugar-comum!! A SIDA, a Sífilis, o Papiloma, e todas as DST's!

Não quer dizer que agora podem começar todas a engravidar aí pelos cantos!

Que nenhuma queira passar pela situação/decisão de um aborto.


Toda esta questão é muito mais complexa que um mero ''SIM'' a uma questão feita num Referendo.

Assim, e para continuar a alimentar a discussão do assunto, aqui fica uma opinião:


««O que mais me revolta às vezes é a simples repetição de chavões do senso comum, frases feitas em torno das quais se faz a propaganda pelo Sim, SEM SE PENSAR MINIMAMENTE no que se está a dizer.

"Não ter as condições para a criar"??? Se por acaso fosse feito um registo com os dados relativos às mães que decidem abortar, talvez até houvesse uma surpresa quando fosse traçado o perfil da mãe-tipo que aborta! A mãe-tipo não seria tão desprovida de dinheiro, nem tão jovem, nem tão "desamparada" quanto seria de esperar. Aquela visão melancólica da mãe ainda adolescente, coitadinha, sem dinheiro, a meio dos seus estudos, que, MESMO TOMANDO TODAS AS PRECAUÇÕES no momento do acto sexual e sem pais que a possam apoiar, teve o azar de engravidar deverá dizer respeito a que percentagem do total de mães portuguesas que actualmente vão a Espanha abortar? Julgo que a maior parte dos partidários do SIM revêm essa imagem (tal reflexo pavloviano) vezes sem conta sempre que se lhes é falado em aborto!
Tendo por base essa imagem dizem-se coisas como:
1. "não ter condições psicológicas para ter a criança". UAu! Então mas se ela não estava realmente planeada, é de esperar que a mulher fique indiferente, não?
2 "Não ter condições sociais"? de que tipo? não percebo bem estas condições... Medo que o nascimento vá afectar a sua hetero-imagem? OU pior, os paizinhos a não quererem passar pela "vergonha" de já terem um neto e dos amigos destes paizinhos lhes apontarem o dedo quanto à má educação/informação sexual que deram aos filhos. Realmente é de um impacte social preocupante!
3. "Não ter condições financeiras"? Este então é o melhor argumento de todos! Por favor leiam e analisem com seriedade mais estatísticas sobre quem são as mulheres e o seu nível de vida nos países onde a IVG é permitida!! Quem realmente se move e "faz das tripas coração" para arranjar o dinheirito para ir ali a Badajoz abortar não poderia pensar que o mesmo poderia ser utilizado com o seu filho? Este argumento do dinheiro ainda se torna mais interessante quando nos lembramos da precariedade em que se vivia em Portugal há anos atrás por altura em que nossos pais e avós nasceram... Se este fosse um argumento válido, muitos de nós não estariam aqui hoje!
CONCLUSÃO? Podemos concluir brilhantemente que a criança não é de facto desejada. Pudera! Com tantos argumentos em torno de questões egocêntricas, não há de facto espaço para pensar no outro. Quantos de nós, na casa dos 20-30 anos não fomos fruto do acaso? Será que estavamos todos nos planos dos nossos pais? Fomos todos desjados? Perguntem aos vossos pais. E perguntem-lhes também se estão arrependidos da opção tomada? Surpreendidos com a resposta?... Talvez, até porque nem havia condições na altura!

Eu não vou votar, por uma decisão pessoal (também não voto em eleições políticas), e não vou abrir excepção nesta questão. Se votasse, votaria Sim, apenas e simplesmente pelo princípio da liberdade de escolha de cada um querer fazer/dizer as asneiras que quiser... embora neste caso do aborto quem paga as consequências não são os próprios! Prevê-se que abortar em Portugal não deverá ser um acto médico comparticipado, adoptando-se assim o princípio do utente-pagador, e muito bem! Pois se existem outros tratamentos, medicamentos, internamentos, cirurgias e outras urgências de saúde que também não são comparticipadas... Merda de país que vive sempre à sombra do "subsídio"! Os impostos são necessários para outras coisas neste país do 3º mundo! Pensar-se que ainda existem regiões (DO LITORAL do país!!!) ainda sem o saneamento básico! Bem estou-me a afastar do tema... Reflictam!»», Sérgio Marto

12/02/07

O Aborto já era um ''SIM'', de modo que, com o futuro que se adivinha, apenas se está a dizer ''SIM'' ao fim da CLANDESTINIDADE e das péssimas condições em que o ABORTO tem vindo a ser praticado até então.

23/01/07

Edite Estrela revela documento
Referendo: Parlamento dinamarquês apela ao voto "sim" em Portugal
23.01.2007 - 09h02 Lusa

A eurodeputada socialista Edite Estrela divulgou ontem à noite, durante um debate realizado em Castelo Branco pela despenalização da Interrupção Voluntária de Gravidez (IVG), um apelo ao voto "Sim" em Portugal oriundo do parlamento dinamarquês.

Segundo a eurodeputada do PS o aborto "diminuiu na Dinamarca" desde que aquele país despenalizou a IVG, até às 12 semanas, em 1973.

Classifica o tema do aborto como "um assunto ético e sério" mas lembra que 95 por cento dos dinamarqueses "acham que a mulher deve ter o direito de escolher uma interrupção voluntária da gravidez segura e legal".

No discurso que proferiu, Edite Estrela apresentou ainda números de um estudo norte-americano, que apontam para um custo "quatro vezes superior" do aborto clandestino quando comparado com os custos da IVG até às 10 semanas.

"Até às 10 semanas [a IVG] é feita por processos químicos. Não tem os custos que as pessoas pensam", disse.

"O que não significa que silenciemos as distorções, as falácias e as mentiras", avisou. Defendendo o envolvimento de todos os cidadãos na consulta popular e o combate à abstenção, alertou que está em causa "o próprio instrumento do referendo".

"Se [o referendo] continuar em Portugal a não ter a adesão do povo, a democracia participativa está em causa", disse.

13/01/07

Dia 11 de Fevereiro: Vote SIM!

Sinto que tenho fazer algo.

Estamos a menos de um mês do REFERENDO!

Sinto que também eu tenho de entrar em acção, para fazer com que não haja abstenção. E claro, para fazer com que percebam a minha opinião e o meu apelo ao SIM.

SIM, por uma decisão pessoal e intransmissível;

SIM, porque o ABORTO, já é uma realidade no nosso país, mas infelizmente sem as melhores condições para tal;

SIM, por essas condições;

SIM, porque o dinheiro dos contribuintes não será só para isto, como se após a DESPENALIZAÇÃO não se gastasse dinheiro em mais nada!;

SIM, com a consciência de que esta não é a única solução. É claro que há outras medidas a tomar, como INFORMAÇÃO, PLANEAMENTO FAMILIAR, diminuição do custo dos preservativos e dos anti-conceptivos ou mesmo acesso gratuito!

SIM, porque mesmo com preservativos e pílulas, a eficácia não é de 100%!

SIM, porque a mãe deve ter direito a desejar um filho. Não a criá-lo sem condições psicológicas, sociais, financeiras, etc, etc, etc,...

SIM, porque a lei não vai obrigar quem não concorda com a DESPENALIZAÇÃO a fazer um ABORTO, mas obriga as que CONCORDAM a não o fazer!

SIM, por este tipo de LIBERDADE! De DEMOCRACIA!

07/01/07

Arte poética, in A criança em ruínas - José Luís Peixoto.

o poema não tem mais que o som do teu sentido,
a letra p não é a primeira letra da palavra poema,
o poema é esculpido de sentidos e essa é a sua forma,
poema não se lê poema, lê-se pão ou flor, lê-se erva
fresca e os teus lábios, lê-se sorriso estendido em mil
árvores ou céu de punhais, ameaça, lê-se medo e procura
de cegos, lê-se mão de criança ou tu, mãe, que dormes
e me fizeste nascer de ti para ser palavras que não
se escrevem, lê-se país e mar e céu esquecido e
memória, lê-se silêncio, sim, tantas vezes, poema lê-se silêncio,
lugar que não se diz e que significa, silêncio do teu
olhar de doce menina, silêncio ao domingo entre conversas,
silêncio depois de um beijo ou de uma flor desmedida, silêncio
de ti, pai, que morreste em tudo para só existires nesse poema
calado, quem o pode negar?, que escreves sempre e sempre, em
segredo, dentro de mim e dentro de todos os que te sofrem.
o poema não é esta caneta de tinta preta, não é esta voz,
a letra p não é a primeira letra da palavra poema,
o poema é quando eu podia dormir até tarde nas férias
do verão e o sol entrava pela janela, o poema é onde eu
fui feliz e onde eu morri tanto, o poema é quando eu não
conhecia a palavra poema, quando eu não conhecia a
letra p e comia torradas feitas ao lume da cozinha do
quintal, o poema é aqui, quando levanto o olhar do papel
e deixo as minhas mãos tocarem-te, quando sei, sem rimas
e sem metáforas, que te amo, o poema será quando as crianças
e os pássaros se rebelarem e, até lá, irá sendo sempre e tudo.
o poema sabe, o poema conhece-se e, a si próprio, nunca se chama
poema, a si próprio, nunca se escreve com p, o poema dentro de
si é perfume e é fumo, é um menino que corre num pomar para
abraçar o pai, é a exaustão e a liberdade sentida, é tudo
o que quero aprender se o que quero aprender é tudo,
é o teu olhar e o que imagino dele, é solidão e arrependimento,
não são bibliotecas a arder de versos contados porque isso são
bibliotecas a arder de versos contados e não é o poema, não é a
raiz de uma palavra que julgamos conhecer porque só nós podemos
conhecer o que possuímos e não possuímos nada, não é um
torrão de terra a cantar hinos e a estender muralhas entre
os versos e o mundo, o poema não é a palavra poema
porque a palavra poema é uma palavra, o poema é a
carne salgada por dentro, é um olhar perdido na noite sobre
os telhados na hora em que todos dormem, é a última
lembrança de um afogado, é um pesadelo, uma angústia, esperança.
o poema não tem estrofes, tem corpo, o poema não tem versos,
tem sangue, o poema não se escreve com letras, escreve-se
com grãos de areia e beijos, pétalas e momentos, gritos e
incertezas, a letra p não é a primeira letra da palavra poema,
a palavra poema existe para não ser escrita como eu existo
para não ser escrito, para não ser entendido, nem sequer por
mim próprio, ainda que o meu sentido esteja em todos os lugares
onde sou, o poema sou eu, as minhas mãos nos teus cabelos,
o poema é o meu rosto, que não vejo, e que existe porque me
olhas, o poema é o teu rosto eu, eu não sei escrever a
palavra poema eu, eu só sei escrever o seu sentido.

19/12/06

Vão para lá de parte nenhuma, dando o vindo por não ido, à espera do adiante.
(...)
É Muidinga que chora. O velho se levanta e zanga:
- Pára de chorar!
- É que me dói uma tristeza...
(...)
A guerra é uma cobra que usa os nossos próprios dentes para nos morder.
(...)
... eu e o meu passado dormimos em tempos alternados, um apeado enquanto o outro segue viagem.
(...)
Afinal, nasci num tempo em que o tempo não acontece!
(...)
Quem constrói a casa não é quem a ergueu mas quem nela mora.
(...)
... comidas (...) dos olhos salivarem na língua.
(...)
... ele que me levasse fora, ou aquilo ficaria matéria não de papo mas de sopapo.
(...)
Ter pátria é (...) saber que vale a pena chorar.
(...)
- Não gosto de pretos (...)
- Dos brancos?
- Também não (...)
- Eu gosto de homens que não tem raça.
(...)

in Terra Sonâmbula,
Mia Couto

02/12/06

291106

Tenho saudades de quando ia para Vairão, logo de manhã cedo, com a Raquel.
Criamos certas rotinas, e de repente elas acabam.
Levantava-me cedo. Saía de casa e andava uns 15 minutos a pé, até chegar a casa dela.
Era assim todas as manhãs.
Ainda me lembro da primeira manhã. Da primeira vez que a vi. Ou melhor, não era a primeira vez. Mas isso só vim a descobrir muito mais tarde.

Ao telefone tratei-a na terceira pessoa, porque achei que era uma “senhora”, alguém mais velho que eu.
Depois descobri nela uma menina! Não por ser, afinal, da minha idade, mas porque a acho mesmo menina. Angélica. E ao mesmo tempo rebelde!
E aí, tratei-a sempre por tu, obviamente.
Ela tratava-me por chavala!
Essa menina fazia-me rir, ouvia músicas super alternativas. Eu pelo menos não as ouvia em mais lado algum que não dentro do Lupo azul em que ela se sentava ao volante.
Aos poucos fui-me partilhando com ela.
Foi durante muito tempo a única junto de quem me sentia 100% à vontade. 100% eu.

- Chavala, queres uma pêra. Foi o Joaquim que trouxe da aldeia.

Sentia que com todos os outros havia sempre uma espécie de barreira.
Aos poucos essa barreira também se foi desvanecendo e consegui partilhar-me com todos aqueles outros. Fui-os descobrindo, conhecendo.

Tenho saudades daqueles 6 meses. Daquele dia-a-dia. Daquelas certas rotinas.
Havia a grávida, como eu lhe chamava. Não por força de expressão, mas por expressão da força que aquele bebé lhe impunha.
Achava muita piada à grávida. Sempre muito carinhosa, sempre sorridente.
Gostava de me meter com ela. Uma vez no campo, passou o dia a comer e a sentar-se para descansar. Eu só me ria. Era mesmo estado de grávida!
(Cê Soares, agora tens aí um Miguelito lindo!)

- Chavala, amanhã às 9 em minha casa.

Havia um Pedro. Havia muitos Pedros.
Um dos que costumava almoçar connosco (o Tarroso. Tínhamos de tratá-los pelos apelidos, senão nunca se sabia de qual falávamos) que dizia sempre algo que nos fazia rir a todos.
Um outro (o Moreira) também era super engraçado. Esse já o conhecia da Faculdade e já sabia que era assim. A risota pegada! O descalabro! Um dia começou a gozar comigo e com a Raquel por sermos do sul e chamarmos coito àquele sítio onde não nos podiam apanhar quando jogávamos à apanhada. No norte, chamavam casa ao coito, e caçadinhas à apanhada!
Em 27 anos de vida foi preciso vir esse Pedro para eu pensar no sentido de chamar coito àquele sítio. Ele dizia fazer mais sentido casa. Eu, continuo a preferir o coito!!

Havia ainda um outro Pedro (havia mais, mas estes três foram os de quem me aproximei mais) – o Ribeiro. No início entrava no laboratório e não me dizia nada. Nem bom-dia, nem boa-tarde. Nada. E eu que sou tão exigente com essa coisa a que chamam “uma questão de educação”.
Ficava possessa.
Chegava a comentar com a Diana (uma amiga). Ela dizia “Esse Mancha Branca é um antipático!”
Eu concordava.
Um dia, comecei a fazer-lhe muitas perguntas (faço sempre muitas perguntas). E foram exactamente para perceber quem eram todos os Pedros lá de Vairão.
Atrás das perguntas dos Pedros vieram muitas mais, e a partir daí acho que ele sentiu não ter hipótese. A partir daí começou a entrar no laboratório e a dizer-me bom-dia, boa-tarde, e até a meter-se comigo.
Com o tempo, passei a considerá-lo simpático!
A Diana continuava incrédula!
Mas eu dizia-lhe: - É verdade. Ele afinal é simpático. Estou-me sempre a rir com ele.
Nunca pensei vir a rir com ele, nas primeiras vezes. As pessoas revelam-se. Temos é de dar-lhes o espaço que necessitam.
É isto a partilha.
Provavelmente todos eles também tiveram impressões a meu respeito que depois mudaram. Tanto do mau para o bom, como do bom para o mau. É mesmo assim. Lugares-comuns.

- O Joaquim está em Lisboa este fim-de-semana.

Havia as Joanas – umas queridas. Ponto. Uma com medo de grilos, imagine-se. Outra com duas gémeas. Não sei o que é melhor!
Havia a Sílvia, com quem também foi gradual a aproximação, e o Congresso de Herpetologia, ajudou. Alguém (já não me lembro se ela) começou a dizer que éramos as “Migueletes” e ela a “Britete”! (devido aos nomes dos nossos orientadores). Foi de rir.
Numa das fotos que tiraram às “Migueletes” ela está em segundo plano, mas está lá! Tinha que estar.

Havia a Catá, como lhe chamava. Era a "Harriete", como se auto-chamava!
Passava o tempo a rir. Parecia que tinha feito uma diabrura qualquer. E eu não podia olhar para ela, que só me dava para rir também.
Assim como a "Britete", também ficou em segundo plano numa das fotos. Em segundo plano, mas lá! Com o seu riso!
Havia a Antigoni, o Miguel (obviamente o Miguel), a Xavier, o Zé Carlos Brito (obviamente o Brito), a Xaninha, o Harris (obviamente o Harris) e tantos, tantos outros.
Estes tantos outros com quem tinha havido uma espécie de barreira. Essa barreira que se foi desvanecendo. Esses tantos com quem me consegui partilhar, que fui descobrindo e conhecendo.

Depois de muita partilha, de muito ouvir falar do Joaquim, um dia fui a casa da Raquel e lá estava ele. O Joaquim. Reconheci-o automaticamente. Lembrava-me dele da Faculdade. Chegou a sentar-se ao meu lado nas aulas de Cristalografia.
Lembrei-me logo dele a sair da Faculdade, junto de uma menina angélica.
Olhei para a Raquel. Ri-me. Afinal eu já a tinha visto antes daquela “primeira vez” no Lupo azul.
A partir desse dia, havia duas Raquéis na minha cabeça. A do Joaquim e a minha. Tentava conjugar as duas, mas nem sempre conseguia. E quando conseguia era estranho.
Hoje olho uma foto do meu primeiro congresso de Herpetologia, e lá está a Raquel, a olhar para mim. A rir. No seu sorriso carinhoso. No seu sorriso de menina.
É essa a minha Raquel.

29/11/06

Se tivesse de escrever um texto para o Hélder o que sairia da tinta desta caneta? Ou de dentro de mim?
Um desconhecido que me faz rir, mas com quem não troco sorrisos; de quem não vejo 2 OLHOS POR DETRÁS DE 1 BIOMBO. De quem me chegam apenas fotografias. Poucas. As que ele se propõe a partilhar comigo. As que me PERMITE ver. Ainda não sei se por razões profissionais ou pessoais. Ou ambas. Ou nenhuma. Não tem de haver uma razão para tudo, pois não?
Dessas fotografias que caem no meu painel de fotos. Desse amigo do amigo de uma amiga. Esse amigo de uma amiga que faz questão que eu conheça: o Hélder.
- O Hélder também gostou deste bar. O Hélder também isto, o Hélder também aquilo.
- Tenho que te apresentar o Hélder.
E eu, não vejo razão para recusar.
Espero fazer um novo amigo.
Há muito tempo que não faço um amigo. Um amigo desses a sério.
Com quem se pode falar abertamente de tudo. Do intimo e do supérfluo.
Uma vez escrevi algo deste género para e sobre o Sérgio Marto. Ele foi e é um desses amigos a sério.
Tenho saudades dessa amizade.
Às vezes temos saudades dos nossos amigos. Mesmo quando eles estão sempre presentes.

Se tivesse de escrever um texto para o Hélder... sairia desta caneta que me apetece apenas ser sua amiga. Apenas não, porque quando se é amigo é-se muito. Não se é apenas.

17/11/06

está a ser escrito mais um texto no .evirgula e o Ricardo Lima será notificado assim que carla veríssimo clicar no ícon ali em baixo a laranja que diz Publish Post.
a ti, Lima, que já tens aquela carga do passado que tão bem escrveeste no papel do chocolate Lindt, na altura recém-chegado da Suiça!!
a ti, dizer apenas: Obrigada por existires! Está a ser bom re-conhecer-te!!
Apesar do popularismo (alguns amigos teus chamar-lhe-iam ser elitista :P); e de estares rodeado de gaijas (já disse à Ritinha para ter cuidado!!), és um bom menino e estás sempre pronto a ajudar os amigos! Isto parece um verso da Tele-Escola (sim, porque eu andei na Tele-Escola, e os meninos fizeram versos uns aos outros, não foi Sérgio Marto?!)
Como ia a dizer, isto parece coisa infantil, mas são coisas simples, como as da infância as que sinto quando estou contigo. é isso que nos transmites (ou pelo menos a mim). é aquela paz, a inocência, ...
como se te conhecesse desde sempre...

14/11/06

Há uns largos meses escrevi um texto que dizia:

Há olhares que nos marcam mais que certas palavras. Como os de 2 desconhecidos que se cruzam num autocarro.
Olhares que têm o mesmo destino e vêm de diferentes origens.
Olhares que não se olharão mais.
Talvez.
Olhares que se falam em pensamento. Que nos levam o lápis deambular na brancura de uma página.
Tenho vontade de sair do meu lugar e sentar-me ao lado daquele olhar.


A semana passada, num outro desses tantos lugares comuns, 2 desconhecidos voltam a cruzar os seus olhares. E aí escrevi:

A 2 OLHOS POR DETRÁS DE 1 BIOMBO

Entrei. Perguntei: - É por senhas?
Respondeu-me: - Como?
Refiz a pergunta: - É preciso tirar ticket?
Disse-me: - Não. É por ordem de chegada.
Perguntei: - A que horas é que isto fecha?
- Às 17.
Esperei um minuto. Nem isso, talvez.
Olhei para o relógio. Pensei: Ainda tenho tempo de ir tratar do outro cartão primeiro.
Saí.
Voltei a entrar faltavam uns 10 minutos para as 17.
Vinha apressada, a arfar. À minha frente lá continuava ele. Sorrimo-nos mutuamente.
Pensei: Este sorriso quer dizer: - Ainda conseguiu chegar a tempo!
Achei-o bonito. Os olhos, o sorriso… tudo.
Aguardei a minha vez. Pensei: Gostava de ser atendida por ele…
Entretanto, um colega fez-me sinal e chamou-me. Como o assunto não ficou esclarecido, pediu-me para aguardar até que uma outra pessoa fosse falar comigo.
Sentei-me. E cruzei o olhar com o “sorriso rasgado” (quando não sabemos o nome dos desconhecidos só podemos falamos do que nos marca). Senti cumplicidade…
Ele levantou-se. Foi a outra sala. Quando voltou, fitou-me de novo os 2 olhos, num sorriso rasgado. Retribuí.
Senti que aqueles olhos me despiam. Ali! Em frente a toda a gente.
Uma mulher chamou-me nesse instante para uma sala.
Voltei a vê-lo passar. Vi 2 olhos por detrás de 1 biombo a olhar novamente para mim. A sorrirem-me…
Souberam-me bem aqueles sorrisos.


Volto a escrever:


Há olhares que nos marcam mais que certas palavras. Como as de 2 desconhecidos que se cruzam…
Olhares que vêm de diferentes origens.
Olhares que não se olharão mais.
Talvez.
Olhares que se falam em pensamento. Que nos levam o lápis deambular na brancura de uma página.

Tive vontade de ficar lá…

09/11/06

Seria bom que todas as orientações fossem vistas com a mesma naturalidade e isso tem que começar nas pessoas com os tais “comportamentos desviantes”. Chega de auto-discriminação.
Os denominados heterossexuais também não vão desfilar para a avenida demonstrando qualquer tipo de orgulho. Isso constrói-se no dia-a-dia através de uma abordagem natural do tema. Sou contra a hipocrisia em torno do assunto.
Não precisam levantar bandeiras nem tão-pouco tapar a cara com elas.
Paula Garcia, Lisboa

30/10/06

America - Razorlight

What a drag it is
The shape i'm in
Well I go out somewhere
Then I come home again
I light a cigarette
'Cause I can't get no sleep
Theres nothing on the TV nothing on the radio
That means that much to me
All my life
Watching America
All my life
There's panic in America
Oh Oh Oh, Oh
There's trouble in America
Oh Oh Oh, Oh
Yesterday was easy
Happiness came and went
I got the movie script
But I don't know what it meant
I light a cigarette
'Cause I can't get no sleep
Theres nothing on the TV nothing on the radio
That means that much to me
Theres nothing on the TV nothing on the radio
That I can believe in
All my life
Watching America
All my life
There's panic in America
Oh Oh Oh, Oh
There's trouble in America
Oh Oh Oh, Oh
There's panic in America
Oh Oh Oh, Oh
Yesterday was easy
Yes I got the news
When you get it straight, but stand up you just can't lose
Give you my confidence, all my faith in life
Dont stand me up
Don't let me down
I need you tonight
To hold me, say you'll be here
To hold me, say you'll be here
To hold me, say you'll be here
To hold..
All my life
Watching America
All my life
There's panic in America
Oh Oh Oh, Oh
She's just in America
Oh Oh Oh, Oh
Tell me how does it feel
Tell me how does it feel
Tell me how does it feel
Tell me how does it feel

29/10/06

Ao Miguel Brito

01.04.2002
Porquê? Porquê? Porquê? Porquê? Porquê? Porquê? Porquê? Porquê? Porquê? Porquê? Porquê? Porquê? Porquê? Porquê? Porquê? Porquê? Porquê? Porquê? PORQUÊ? PORQUÊ? PORQUÊ? PORQUÊ? PORQUÊ? PORQUÊ? PORQUÊ? PORQUÊ? PORQUÊ? PORQUÊ? PORQUÊ? PORQUÊ?

Isto não são várias formas de escrever porquê.
Isto é: Porquê???????



porquê eu?

23/10/06

Carla Alexandra Vitorino Veríssimo
esta sequência com que me identifico; à qual viro a cabeça ao ouvir pronunciar num qualquer lado.
E se eu fosse a mesma com outra sequência?
E se eu fosse a mesma com outros gostos, outra família, outros amigos?
E se eu fosse a mesma?
Só assim: ser a mesma.
O que é afinal ser ser?
O que é o mesmo?/O que é o mesmo.
E se?
E se eu fosse a mesma com outras roupas? Outras atitudes?
E se eu fosse a mesma sem esta escrita?
E se eu fosse outra sendo a mesma?
e se eu não fosse????
Alguém assimilava o Mundo por mim?
Alguém quebrava as vértebras num abraço forte até ouvir estalar tudo lá dentro?
e quando eu já não for e o Mundo continuar cá a ser??
É esta a escrita do dia de hoje. É com isto que quero que me identifiquem. Com aquilo a que eu própria me proponho virar a cabeça ao ouvir pronunciar num qualquer lado.
É esta aminha sequência: palavras deixadas a um Mundo que permanecerá quando eu partir.
É isto eu: Carla Alexandra Vitorino Veríssimo